Briga com o DEM era crise anunciada que PSDB subestimou

João Bosco Rabello

26 de junho de 2010 | 15h00

Do vasto anedotário com que o brasileiro brinda seu co-irmão português pode-se pinçar uma que cabe à feição ao PSDB nas campanhas eleitorais: Joaquim avista na calçada, alguns metros à sua frente, uma casca de banana.  E comenta com o amigo que caminha ao seu lado: “Oh Manoel, lá vem outro tombo”.

Assim se comporta o PSDB, incapaz de desviar do tombo anunciado, numa vocação irreprimível para o enredo novelesco, diferenciando-se do protagonista da piada ao providenciar, ele mesmo, a casca de banana na qual vai escorregar. 

A crise com o DEM era daquelas anunciadas. O partido nunca teve uma interlocução com José Serra, num contexto de aversões recíprocas entre o candidato e o comando da legenda.

A bem da verdade, o DEM também jamais esteve unido em torno de um nome para oferecer como vice ao PSDB, colaborando involuntariamente para o fosso que separa ambos.

O vazamento de Jefferson, ao twittar a escolha (?) de Álvaro Dias, elevou ao máximo a temperatura no DEM e serviu para unir o partido. Que, de resto, tem praticamente o mesmo número de deputados e senadores que o PSDB e quase quatro minutos de televisão.

Não é uma parceria a ser desprezada por nenhum candidato, mas o jeito tucano de viver perigosamente cada eleição parece tê-lo viciado na adrenalina política. Se excluiu Fernando Henrique da campanha, não chega a surpreender sua atitude com o DEM.

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