Brasília no mapa de socorro de Lula

João Bosco Rabello

29 Janeiro 2014 | 19h16

Apesar de uma estrutura publicitária mais profissional, o governador Agnelo Queiroz (PT-DF) não conseguiu reverter a percepção negativa de sua gestão , contrariando as expectativas iniciais que o favoreciam diante do escândalo de seu antecessor, deposto e preso, José Roberto Arruda.

Agnelo não conseguiu capitalizar politicamente o episódio , passando a primeira metade de seu governo cativo de uma introspecção misteriosa.  Assustado tardiamente com o índice de desaprovação, recebeu a ajuda do Palácio do Planalto que introduziu em sua estrutura perfis experimentados, como o ex-ministro da Justiça, Luis Paulo Barreto, hoje na iniciativa privada, e Swendeberger Barbosa , seu chefe da Casa Civil atual.

A “intervenção branca” como foi rotulado o ingresso desses dois funcionários federais, melhorou a gestão, especialmente por estabelecer uma relação mais impositiva com uma Câmara Distrital que se caracterizava, desde o governo Arruda, pela promiscuidade. Mas a busca do tempo perdido parece limitada a esse efeito, invisível ainda ao eleitor.

Em parte, a dificuldade de Agnelo se deve à percepção de que, apesar da corrupção que acabou produzindo seu impeachment , Arruda tinha uma gestão mais eficiente. A frustração com Agnelo preservou um porcentual de apoio ao ex-governador do DEM, que lhe motiva hoje a tentar nova eleição, não necessariamente para o Executivo.

Mais: pelas mesmas razões, Agnelo trouxe a parcela do eleitorado uma nostalgia de Joaquim Roriz. Arruda e seu antecessor e padrinho político – também seu algoz- , agora se unem num pragmatismo a qualquer prova, para rearticular as forças conservadoras que predominaram no comando da Capital desde o primeiro dia de sua autonomia política.

O governador petista chega à fase da pré-campanha com índices que desautorizam o mais ferrenho otimista, antecipando o clima de sucessão, agora embalado em nova dinâmica trazida pela ex-senadora Marina Silva, cujo apoio é disputado pelo candidato natural do PSB, o senador Rodrigo Rollemberg, e pelo pedetista Antonio Reguffe.

Marina tem em Brasília seu patrimônio eleitoral mais expressivo: foi na Capital que teve sua maior votação na eleição presidencial de 2010, o que a torna um cabo eleitoral indispensável. O governador, segundo interlocutores políticos, precisará de um apoio ostensivo do ex-presidente Lula, para ter alguma chance de reverter ou reduzir sua inferioridade eleitoral que, para muitos, está consolidada.