Braga fica líder do governo e ganha apoio do PT em Manaus

Andrea Vianna

27 de junho de 2012 | 19h52

A angústia do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) com a eleição para a prefeitura de Manaus, acabou empurrando a presidente Dilma Rousseff para uma ação política pessoal, rara em seu currículo de gestora. Pressionado pelo risco de aliança entre o ex-senador Arthur Virgílio e o atual prefeito Amazonino Mendes, do PDT, e vendo seu aliado, o governador Omar Aziz (PSD), insistir no apoio à deputada Rebecca Garcia, do PP, Braga estava decidido a deixar a liderança do governo e lançar-se, ele próprio, à prefeitura.

Foi demovido pela presidente em audiência hoje de manhã, depois de receber a garantia de que o PT apoiaria um candidato seu e do governador Aziz. Braga se sentiria desmoralizado se, na qualidade de líder do governo, não garantisse o apoio local do PT. Foi um Eduardo Braga radiante que subiu à tribuna no final da tarde para anunciar que fica. No discurso, ele disse que apoiará o candidato de Omar Aziz. Afirmou que se o nome for o de Rebecca Garcia, ele a apoiará – embora já tivesse declarado que o nome dela não unifica a base aliada. A saída para Braga era mais confortável porque sua suplente é a sua esposa, Sandra Braga.

Dilma teria imensos problemas para uma nova troca de líder, poucos meses depois de entronizar Braga no cargo, após ser desafiada pela base aliada que recusou a indicação de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), levando à queda de seu antecessor, Romero Jucá (PMDB-RR).

Há ainda a possibilidade de o candidato de consenso entre Braga e o governador Omar Aziz ser o deputado estadual Marcos Rotta (PMDB). Braga disse da tribuna que apoiará quem Aziz apoiar, mesmo se for Rebecca Garcia.

O nome mais provável porém é o de Rotta, que já era antiga aposta política construída a quatro mãos por Braga e Aziz. O nome, porém, só será confirmado na convenção do PMDB, agendada para o próximo sábado (30).

A adesão do PT contorna um dos problemas na ampla coligação que Braga e Aziz vinham tentando construir. Ambos são aliados há mais de dez anos e enfrentavam risco de rompimento. Aziz foi vice de Braga nos dois mandatos dele (2003-2010) e se elegeu governador na última eleição com o apoio do peemedebista, que deixou o governo com mais de 80% de aprovação popular.

Como o nome de Rotta não decolava nas pesquisas e Braga resistia à candidatura, as relações entre ambos azedaram. Aziz passou a investir no nome de Rebecca.

Em outra frente, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou a conversar com Rebecca Garcia sobre a vaga de vice na chapa encabeçada por ela. E expondo a divisão dos petistas, o presidente do PT em Manaus, Valdemir Santana, tentava fechar uma aliança em torno da candidatura do prefeito Amazonino Mendes à reeleição.

Eduardo Braga se aconselhou em Brasília. Ouviu de decanos do PMDB, como o vice-presidente Michel Temer, que nessa altura do campeonato, abdicar de um mandato de senador – e ainda mais, do cargo de líder do governo, de confiança da presidente da República – para voltar a ser prefeito significaria um retrocesso em sua carreira política.

O risco de rompimento da aliança de uma década com Omar Aziz levou Eduardo Braga a se movimentar e pedir o apoio da presidente Dilma. Depois de conversar com a presidente, Eduardo Braga falou por telefone, de seu gabinete no Senado, com Aziz. E depois que ele desceu da tribuna, Aziz telefonou para o aliado, garantindo o apoio a Marcos Rotta, segundo senadores que testemunharam a conversa.

A se confirmar essa hipótese, o PP terá de decidir se manterá a candidatura de Rebecca, sem o apoio do governador. O PT terá de confirmar o apoio ao candidato de Braga – o que ainda não ocorreu. E o PC do B terá de decidir de que lado fica. A senadora Vanessa Graziottin (PCdoB) é aliada de Aziz, mas seu primeiro-suplente, Francisco Garcia, é pai de Rebecca.

 

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