Ausência de Lula tira limites do PT

João Bosco Rabello

04 de janeiro de 2011 | 14h24

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Por enquanto, Dilma autoriza dúvidas sobre seu controle nas negociações. Foto: Divulgação

Não é alvissareira a estréia do deputado Luis Sérgio (PT-RJ) como coordenador político do governo no cargo de ministro das Relações Institucionais.

Negar a crise entre seu partido e o PMDB na disputa por cargos é tapar o sol com a peneira.

O problema existe – e tem dimensão de crise porque é notório o vácuo deixado pela liderança de Lula sobre o PT, que começa a acreditar na tese de José Dirceu, pela qual o governo Dilma significa finalmente que o partido exercerá o poder.

Exercerá, mas não de forma absoluta como sugere a inegável supremacia na ocupação de cargos em relação ao seu aliado, o PMDB.

Além de ocupar 17 ministérios, o PT desalojou o PMDB de pastas e postos estratégicos, como no caso do Ministério da Saúde e da Funasa, para ficar num só exemplo.

É até salutar remover o partido do vice, Michel Temer, de feudos que domina há muito tempo, caso da Funasa, alvo de sucessivos escândalos nos últimos anos.

Uma reestruturação estratégica, em si, já gera problemas políticos. Se não vier acompanhada do equilíbrio indispensável na relação de forças dentro da aliança, gera crise permanente.

A fase atual testará a capacidade da presidente Dilma Rousseff de impor limites à voracidade com que o partido avança na ocupação de espaços, o que seu antecessor fazia por ter ficado maior que a legenda.

A campanha que a elegeu já foi marcada por essa força pessoal de Lula na imposição das alianças estaduais, que eliminou candidaturas caras ao partido sem produzir mais que resmungos dos preteridos.

Por enquanto, Dilma autoriza dúvidas sobre seu controle nas negociações.

Ao mau sinal emitido com a preservação do deputado Pedro Novais (PMDB-MA) no Ministério do Turismo, somou-se a absolvição do parlamentar pelo ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, empenhado em garantir que o colega não participou da festa de casais em um motel, cuja conta foi parar na Câmara dos Deputados.

Como se essa fosse a questão e não o uso do dinheiro público para fins particulares, sejam eles quais forem. Novais exibiu ao país o conceito que faz da gerência dos recursos públicos.

A presidente perdeu uma oportunidade de, a um só tempo, dar uma demonstração de zelo pelo contribuinte e de melhora na relação de oferta e procura no mercado de cargos em disputa.

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