Arruda se licencia para evitar intervenção

Arruda se licencia para evitar intervenção

João Bosco Rabello

11 Fevereiro 2010 | 20h14

José Roberto Arruda se licenciou, há pouco, do governo do Distrito Federal, num gesto que, considerando seu afastamento judicial, precisa ter sua intenção desvendada.

Em princípio, pode ser interpretada como uma estratégia de dar governabilidade ao vice, Paulo Octávio, com o objetivo de evitar a intervenção federal já solicitada ao STF pelo Procurador-Geral, Roberto Gurgel.

A carta é megalômana. Nela, se compara a Getúlio Vargas para dizer que nenhum outro episódio da história política brasileira, nem mesmo os de agosto de 54, foi tratado com tanta severidade quanto o seu.

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Reclama isonomia de tratamento com os réus do mensalão do PT e com a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, como ele mergulhada em denúncias de corrupção. Nem o impeachment de Collor é comparável, segundo escreveu.

São medidas coercitivas, segundo ele, que revela ter se oferecido ao STJ ontem para um novo depoimento, que o ministro-relator do caso, Fernando Gonçalves, considerou desnecessário.

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Se diz vítima de campanha difamatória e pede a reforma da legislação eleitoral brasileira por criar um cenário “onde o importante não é seguir a Lei, mas saber ludibriá-la”.

No texto, empossa seu vice, Paulo Octávio, a quem pede que conduza até o final as obras iniciadas sob sua gestão.

Trata-se de um texto calculado para surtir efeito político. Cada palavra foi cuidadosamente pensada a ponto de transferir para vândalos anônimos os delitos de seu governo.

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Não vai dar certo. Desfez-se a possibilidade de volta ao governo. A prisão é o fim da autoridade política do governador e da carreira de Arruda.