Arruda – o crime compensa

Arruda – o crime compensa

João Bosco Rabello

02 de fevereiro de 2010 | 21h11

O governador José Roberto Arruda conseguiu completar o movimento decisivo para a sua permanência no cargo até o final do atual mandato. Tem o comando da Câmara e da Comissão de Constituição e Justiça, apesar de tudo.

Foto: Celso Junior/AE

STF condicionou julgamento do governador José Roberto Arruda a uma consulta à Câmara Distrital .Foto: Celso Junior/AE

Tal operação política não se consolida sem um acordo de bastidores que, nesse caso, envolve oposição, governo e Judiciário. E, em alguma medida, também os algozes de Arruda, o ex-governador Joaquim Roriz e o denunciante Durval Barbosa.

O STF, acionado pelo Ministério Público sobre a constitucionalidade da Lei Orgânica do DF, que impede o processo contra o governador, condicionou seu julgamento a uma consulta feita à Câmara Distrital.

Mas não fixou prazo para a resposta.

No período em que comandou a Câmara, o PT de Cabo Patrício sentou em cima da consulta do STF. Foto: Pablo Valadares/AE

No período em que comandou a Câmara, o PT de Cabo Patrício sentou em cima da consulta do STF. Foto: Pablo Valadares/AE

No período em que comandou a Câmara, encerrado ontem, o PT sentou em cima da consulta do STF por 40 dias. Se a oposição agiu assim, que dirá a nova Presidência, eleita ontem, fiel ao governador.

Durval Barbosa recuou do prometido depoimento a uma CPI que também está sob controle do governador.

É a mesma base aliada que aparece nos filmes do ex-secretário de Arruda, guardando propina em meias e agradecendo a Deus pelo “sucesso financeiro”.

A desistência de Durval em depor na CPI é o fato mais significativo desse enredo desmoralizante. Poupou o governador no momento mais importante da operação que, até aqui, garante sua sobrevivência no cargo.

A Polícia Federal, que tem Durval sob custódia, deve explicações sobre seu recuo. Sob pena de passar recibo de instituição que elege seus alvos de acordo com suas conveniências políticas.