Aliança com PT separaria Osmar Dias de seus financiadores históricos

João Bosco Rabello

09 de junho de 2010 | 19h09

Osmar Dias (PDT-PR) afirmou que não viu nenhum cenário favorável à sua eventual candidatura ao governo com o apoio do PT. Ele reivindicou a indicação da presidente do PT paranaense, Gleisi Hoffmann, para a vaga de vice-governadora em sua chapa.

Esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ela rejeita a indicação, porque lidera a corrida para o Senado. Dias afirma que sem a petista ao seu lado na chapa, o PT não trabalharia, efetivamente, para elegê-lo governador.

Mas há por trás da hesitação de Dias um motivo não admitido por ele: a resistência dos financiadores históricos de suas campanhas a uma aliança com o PT.

São empresas e empresários ligados ao agronegócio, que vêem no PT o mentor e organizador das invasões de propriedades pelo MST.

Na campanha vitoriosa que o elegeu senador em 2002, Osmar Dias arrecadou R$ 810 mil. Entre os principais financiadores da campanha, destacam-se empresas do agronegócio e associados da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP).

Alguns dos que ajudaram a elegê-lo em 2002: A Bunge, líder no processamento de soja e trigo e na produção de fertilizantes, doou R$ 39 mil; a Moinho Carlos Guth S/A, R$ 20 mil; a Citri Indústria, Comércio e Exportação, do ramo de sucos de laranja, R$ 20 mil; a Anaconda Indústria de Cereais S/A, R$ 13 mil; e a Klabin S/A, líder na produção, exportação e reciclagem de papéis, R$ 78 mil.

São doações legais, registradas, absolutamente dentro da Lei, feitas por um segmento honrado da economia e, portanto, não representa demérito para o senador.

O ponto é que a aliança com o PT os separaria de Dias, sem qualquer sombra de dúvida.

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