Afagos de Dilma não sensibilizam PMDB

João Bosco Rabello

19 de fevereiro de 2014 | 15h03

A presença da presidente Dilma Rousseff no jantar promovido pelo vice-presidente, Michel Temer, em torno de prefeitos e parlamentares do PMDB, não apazigua as relações entre o governo e o partido. Talvez até agrave, na medida em que sugere que a presidente foi a um daqueles compromissos que se vai por falta de uma justificativa social.

A confirmação da presença horas antes e a saída 40 minutos depois,  dispensando o convívio do jantar, são dois sinais da importância – ou disposição – que a presidente dispensa à tarefa de reaproximação com o partido. De quebra, ainda serviu para piorar a situação de Temer diante da legenda, hoje visivelmente liderada pelo deputado Eduardo Cunha (RJ).

No pouco tempo em que permaneceu na residência oficial do Jaburu, Dilma dedicou grande parte a posar com prefeitos que sempre querem levar uma foto com presidentes da República para exibir em suas campanhas. É um fator de prestígio nas campanhas provincianas, que não guardam vínculo com os índices de aprovação de chefes de Executivo.

No tempo que restou, a presidente fez um discurso em que deu ao PMDB o que ele já tem – a liberdade para fazer as alianças regionais independentemente da nacional. E reconheceu o que o partido já sabe desde sempre: sua importância para a estabilidade política dos governos.

Saiu sem dar o que o partido não tem: a isonomia na estrutura de governo em relação ao PT. E também sem qualquer satisfação.

A leitura no partido para essa passagem meteórica da presidente pelo Jaburu foi a inevitável: o que o governo quer do PMDB é o tempo de televisão. Desde que não rompa com o Planalto, portanto, o partido serve ao interesse do projeto de poder do PT. Não importa seu nível de satisfação com a aliança.

É uma visão equivocada. Há várias formas de rompimento, inclusive a que mantém a aliança formal. Nesse momento, ao dar ao PMDB a liberdade que já tem em relação às alianças regionais, Dilma apenas absorve o que já não está ao seu alcance evitar.

O engajamento do partido na campanha nacional está comprometido: a prioridade é com o arco de alianças que preservará sua capilaridade e liderança no ranking partidário. Mesmo com um esforço pela reaproximação – que não houve -, o governo já não reconquistará a integridade da relação na aliança.

A ausência do senador Renan Calheiros, presidente do Senado, deixou sugerido que ele trata à parte com a presidente sua pauta política, dissociada da negociação de cúpulas.

 

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