Aécio vincula escolha em Minas ao cenário nacional

João Bosco Rabello

04 Dezembro 2013 | 19h00

No calendário de definições do senador Aécio Neves em 2014, a candidatura ao governo de Minas deve ficar por último. Entre o presidente do PSDB estadual, deputado Marcus Pestana, e o veterano Pimenta da Veiga, quadro histórico do PSDB, Aécio submeterá a escolha ao desfecho da movimentação dos outros atores do processo eleitoral – PSD,PMDB e PSB.

O PMDB não descartou ainda a hipótese de lançar candidatura própria, postulada pelo senador Clésio Andrade e pelo deputado Leonardo Quintão. O PSB , frágil no Estado, pode lançar seu candidato também (Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, ou o deputado federal Júlio Delgado), e o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, majoritariamente deseja uma aliança regional, independentemente do apoio a Dilma Rousseff no plano nacional.

O candidato do PSDB à presidência da República acha que uma definição agora precipitaria o debate sobre a chapa ao governo estadual, queimando o trunfo do vice que poderá estimular o apoio de um desses partidos, principalmente do PSB. É, portanto, a possível oferta de vice que adia a decisão e não uma suposta dificuldade em escolher entre dois aliados e amigos.

Para essa escolha, ele já adiantou que se baseará em pesquisas, qualitativas e quantitativas, e na avaliação da composição mais eficiente para a meta de obter três milhões de votos de frente no Estado na disputa presidencial contra a presidente Dilma Rousseff. O que significa estabelecer um placar a seu favor de 50% a 30% na disputa de 2014.

Essa meta, como se sabe, precisará se somar a uma grande diferença a seu favor também em São Paulo, onde acredita que a pacificação interna alcançou seu ponto mais alto desde o inicio do conflito com José Serra. Para Aécio, esse sempre foi o desafio mais importante que, se materializado efetivamente, poderá abrir o caminho para uma vitória que ele não coloca no plano do otimismo ingênuo, mas em avaliações que apontam para um desgaste crescente do PT no Estado.

É um raciocínio que parte da constatação de que altíssimo índice de reprovação do prefeito Fernando Haddad, recorde histórico comparável ao de Celso Pitta, em velocidade igualmente recorde, não atinge só a candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha ao governo, mas também afeta a votação de Dilma no Estado na disputa presidencial.

Haddad, se consolidada a rejeição de hoje, é um fracasso pessoal do ex-presidente Lula, por sua vez o cabo eleitoral indispensável à vitória de Dilma em 2010 e, agora mais que antes, à sua reeleição. É numa vantagem larga nos dois estados – Minas e São Paulo -, que Aécio sustenta seu otimismo.

Esse otimismo caminha ao lado da avaliação de que o governo não conseguirá adiar para depois de outubro o desgaste com os efeitos da crise da economia, cujos números divulgados ontem pelo IBGE já não possibilitaram mais a reação dissimulada do Planalto.

A avaliação no PSDB, PSB e PPS é a de que a deterioração da economia teve o ritmo aumentado comprometendo sua administração política pelo governo.