Aécio começa a pôr a campanha prá fora

João Bosco Rabello

12 Dezembro 2013 | 18h30

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fará na próxima terça-feira o primeiro movimento mais explícito de sua campanha, até aqui concentrada nas ações de menos visibilidade pública, como as composições regionais e reuniões com segmentos estratégicos – de empresários a ambientalistas, junto aos quais busca apoio.

Esse roteiro “para dentro”, também percorrido pelo misto de rival e aliado, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, tem gerado críticas de correligionários angustiados com o pouco tempo dedicado a estratégias que ampliem sua visibilidade e projetem nacionalmente seu nome. A grande preocupação de seus aliados é com o calendário atípico da eleição de 2014, que reduzirá a campanha para 60 dias – os dois meses pós- Copa do Mundo.

Já menos preocupado com a formalidade de não se permitir candidato antes de março, prazo que acertou com José Serra para a definição oficial do nome tucano na disputa, Aécio lançará o que chama de “conjunto de diretrizes” de sua campanha, que materializará o diagnóstico crítico do governo Dilma, na forma de propostas que devolvam ao país a confiabilidade econômica e, por extensão, o crescimento.

É um passo estratégico que realça o aspecto meramente ritualístico do acordo com Serra e atende ao clamor interno por mais nitidez na campanha. Trocando em miúdos, Aécio não submeterá a urgência da candidatura à sua formalização em prazo que, cumprido à risca, o deixaria de mãos atadas por mais dois meses e meio, ampliando a dianteira da presidente Dilma Rousseff,  favorecida pela exposição natural do cargo.

Mas Aécio recusa atribuir exclusivamente ao estágio interno da campanha a dianteira de Dilma. De fato, é difícil imaginar que a oposição consiga amplificar seu discurso (mesmo precário ainda) diante da propaganda massificada que a estrutura de poder viabiliza para a adversária governista.

Vale lembrar, observa, que nessa mesma época, em 2009, José Serra tinha 40% nas pesquisas e Dilma, 16%. Marina Silva, 6%. E Dilma só alcançou Serra no final de julho do ano seguinte, a partir da visibilidade da televisão puxada pelo cabo eleitoral Lula. Mas, admite, a oposição vai precisar encontrar uma fórmula de se mostrar como a que pode atender aos 66% que manifestam desejo de mudança.

Ele avalia que a circunstância econômica e o desgaste político do governo vai empurrar a presidente Dilma para uma postura defensiva durante a campanha. Manterá forte o enfoque da ética na política que já não será possível à adversária. Não se refere a uma decantada influência do mensalão no eleitorado petista – que até acha que não haverá -, mas à dificuldade de o PT sustentar a bandeira que teve com quase exclusividade nos tempos de oposição.

Considera que a Copa, do ponto-de-vista do resultado do torneio, não afetará o governo numa eventual derrota da seleção brasileira. Mas o entorno do evento, ou seja, a infraestrutura precária, a falta de mobilidade urbana, a insegurança e a violência são fatores com os quais o governo se preocupa por sabê-los realmente de risco para a reeleição.

Por essa mesma razão, considera que a hipótese de a campanha se resolver no primeiro turno é zero.  E que não tem dúvida também sobre o apoio de Eduardo Campos caso o PSDB seja o adversário de Dilma no segundo turno. Campos não pode ter mais um discurso que não seja de oposição, não só pela ruptura com o governo, como pela piora gradativa dos aspectos que mais desgastam Dilma – economia ruim, serviços piores ainda.