Aécio abre caminho para a chapa puro-sangue

Aécio abre caminho para a chapa puro-sangue

João Bosco Rabello

17 de dezembro de 2009 | 18h51

A renúncia do governador Aécio Neves à candidatura para presidente da República encerra o primeiro capítulo da novela do PSDB, garantindo ao governador José Serra, por exclusão, o lugar de titular da vaga. Aécio não anunciou o passo seguinte, e mantém o suspense com relação à vice-presidência. A carta que divulgou – metade dela crítica ao fato de o partido ter desconsiderado sua proposta pela realização de prévias, e metade dizendo que permanece fiel aos princípios da social-democracia, não autoriza uma afirmação categórica de que desistiu também da ideia do Senado.

Aécio não seria um vice decorativo. Foto: Omar Freire/Divulgação

Aécio Neves não seria um vice decorativo. No mínimo, seria o que José Serra foi para Fernando Henrique. Foto: Omar Freire/Divulgação

Mas a lógica política indica claramente que sua desistência abre caminho concreto para a chapa puro-sangue sonhada pelos tucanos e engolida sem reclamações pelo DEM. A antecipação de sua decisão, que só deveria vir em janeiro, se explica pela crise do DEM após o escândalo que detonou o governador do DF, José Roberto Arruda, e pelos atritos entre o PMDB e o presidente Lula. No primeiro caso, ficou inviabilizada a escolha de um vice do DEM para compor eventualmente uma chapa com Serra. No segundo, aproveitou-se a oportunidade de projetar uma alternativa de aliança ao PMDB que torne mais turbulenta a parceria desse partido com Dilma Rousseff.

Aécio despe o figurino de  candidato com 15% nas pesquisas, porcentual cinco vezes maior do que tinha quando admitiu disputar a sucessão. Ganhou uma visibilidade nacional que o torna mais forte no PSDB e em Minas, seu Estado. E, em consequência, junto a Serra. Reforça assim, a possibilidade de transformar em acordo uma proposta antiga que o partido lhe fizera de aceitar ser um vice com força política e poder de gestão no futuro governo. Não seria um vice decorativo, mas estaria à frente de um ministério super-poderoso, ou indicaria os titulares de seis ministérios. No mínimo, seria o que Serra foi para Fernando Henrique.

Isso garantiria a Aécio uma visibilidade como gestor capaz de sedimentar o caminho para a sucessão de Serra, em 2014, quando o atual governador de São Paulo estará com 72 anos. Como a convicção, tanto de Serra, quanto de Aécio, é a de que terão de dar continuidade aos avanços sociais obtidos por Lula, é possível imaginar-se um governo sintonizado com o que o eleitor manifesta nas pesquisas. E, portanto, com chances de manter-se no Poder em 2014.

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