Acima do tom

João Bosco Rabello

24 Janeiro 2014 | 19h00

Foi maior do que possa ter ficado sugerida a repercussão negativa da declaração do advogado Alberto Toron comparando a viagem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ao exterior aos rolezinhos em voga no país.

Além do tom acima do que deve reger as relações de advogado e juiz, a frase reafirma a distorção que imputa a Barbosa toda a responsabilidade pela condenação dos réus do mensalão – uma decisão do colegiado de ministros.

Barbosa já considerou incivilizada a declaração do advogado do deputado João Paulo Cunha e mede a sua desproporção ao lembrar que se refere a uma lacuna que produziu para o condenado mais um mês de liberdade.

Tivesse, ao contrário, adiado em um mês a liberdade de um preso, faria sentido a irritação – e , mais, a indignação do advogado com o episódio.

Além do mais, não convenceu à maioria a justificativa dos ministros presentes no recesso de que só a  Barbosa caberia assinar o mandado de prisão.

De toda a forma, é uma reclamação inusitada a de João Paulo, considerando que teve sua prisão adiada.