A preocupação dissimulada com a segurança

João Bosco Rabello

14 Janeiro 2014 | 07h03

A agenda presidencial e o noticiário sobre a Copa do Mundo indicam que a presidente Dilma Rousseff sinaliza para o primeiro escalão de seu governo  a segurança como prioridade daqui em diante, até o final da Copa.

Não que a preocupação com o setor não seja permanente, mas o foco mais agudo é necessário no momento em que o mundo visita o Brasil, como bem pode ser definida a realização da Copa do Mundo no país.

A iniciativa presidencial cumpre o propósito comum nas gestões mais clássicas de indicar aquilo que mais mobiliza a cúpula em períodos de alta sensibilidade em que a sorte de uma administração pode estar em jogo.

Ao mesmo tempo desnuda a dissimulação do Planalto com o tema quando procura demonstrar naturalidade diante de episódios como o do Maranhão que impactaram profundamente o governo federal.

A reação da presidente, porém, não refletiu essa preocupação com a intensidade que ela tem. A aliança com o senador José Sarney (PMDB-AP) freou o ímpeto de uma manifestação mais enfática, como o episódio requeria.

Dilma tentou compensar a ausência de uma condenação dura ao caso, que exporia politicamente Sarney e a governadora Roseana, sua filha, com mensagens postadas no twitter, muito aquém do desejável.

É improvável que a presidente aumente o tom, certamente escorada na certeza de que maior ênfase também não terá a oposição, visto que o Maranhão, nesse aspecto penitenciário, reflete a realidade de todos os Estados.

O dano eleitoral será medido pela percepção do eleitor, que não terá a ajuda da oposição para dar visibilidade ao comportamento ameno do Planalto com o correligionário.