A pausa de Eduardo Campos

João Bosco Rabello

23 de julho de 2013 | 14h09

A interpretação de renúncia de Eduardo Campos à candidatura presidencial, em  2014, surgida após a notória pausa em sua pré-campanha, é vista com um misto de cautela e ceticismo nos meios políticos. Para lideranças experientes, seria tarde demais para um recuo, e o silêncio de Campos pode ter outras motivações – desde uma parada para avaliar os protestos das ruas até um cenário mais consolidado da situação do governo Dilma.

Os dois encontros conhecidos com Lula desde a queda da presidente Dilma nas pesquisas, na turbulência formada com as manifestações populares, estimularam a versão de uma possível desistência e reforçaram a ideia de um eventual retorno do ex-presidente à cena eleitoral. O reatamento com Lula suscitou, de imediato, a lembrança de que o governador estabelecera como excludentes as duas candidaturas – só sairia se Lula não disputasse.

No PMDB a avaliação mais corrente é a de que o governador pernambucano recuou penas da postura mais agressiva contra o governo considerando a perspectiva de vir a ser o candidato da base, caso a reeleição de Dilma se inviabilize – seja pela piora do quadro econômico, seja pela rejeição da aliança a ela – ou ambos, fatores que indicariam sua  incapacidade de reação positiva aos índices do governo.

As pesquisas que indicaram queda de avaliação da presidente, realizadas após as manifestações das ruas e das primeiras reações do governo, registraram aumento do porcentual de Campos, para 7,5% levando-o próximo à meta de 8% que fixara quando abraçou a estratégia de ganhar maior visibilidade nacional, sem rompimento com o governo. Enquanto Dilma caía, ele subia, ainda que em índices muito distantes de uma candidatura competitiva.

Além disso, o governador não pode perder de vista a motivação original da candidatura em 2014, que sempre foi a de produzir um “recall” para 2018, este, sim, o ano programado para uma candidatura efetivamente promissora, dado que, reeleita como se considerava inevitável, Dilma não poderia mais concorrer. A disputa, então, estaria aberta a todos com chances teoricamente iguais.

Foi por este raciocínio, que prevalecia quando os índices positivos de Dilma pareciam inabaláveis, que o senador Aécio Neves lançou a proposta do fim da reeleição, de olho no apoio de Campos num segundo turno contra Dilma. Sem reeleição em 2018, apoiar Aécio não significaria para o governador pernambucano investir na reeleição do mineiro em 2018. Do contrário, a lógica o impeliria a apoiar Dilma no segundo turno, razão pela qual Lula cuidou de evitar a ruptura da presidente com o líder do PSB.

Por essa leitura, Campos manterá a candidatura – contra Dilma ou em substituição a ela, conforme os ventos soprarem. Não teria porque recuar, a não ser pela exceção colocada desde o inicio, que seria a disposição do ex-presidente de concorrer novamente. O que é considerado pouco provável, pelas circunstâncias desfavoráveis em que reassumiria o projeto do PT, de alto risco para a imagem com que deixou o governo, próximo dos 80% de aprovação.

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