A nova pesquisa

João Bosco Rabello

15 de julho de 2014 | 15h50

A nova pesquisa Datafolha, com divulgação programada para amanhã, é cercada de curiosidade pelo universo político, por revisitar o eleitor após a Copa do Mundo e conferir se ela influiu – e em que proporção – na intenção de voto para a eleição presidencial. Mas não gera maior expectativa de mudanças consistentes.

Há dois aspectos com relação à Copa – o evento bem sucedido e o fracasso da seleção brasileira, em dimensão nunca antes vista pelo país. É provável que as opiniões confirmem a sensação geral de uma festa bem avaliada e um futebol de várzea.

A questão central é detectar se a Copa influiu no espírito do eleitor ou não. Em caso positivo, o que pesa mais – o sucesso do país como anfitrião, ou o fiasco da seleção. Qualquer resultado terá o governo como eixo da consulta, já que a oposição é espectadora no contexto.

Trata-se, pois, de verificar se os índices da presidente Dilma Rousseff,  melhoram, pioram ou se mantêm estáveis no patamar das últimas consultas. A tendência entre os especialistas é apostar que o cenário pouco muda.

Para o governo, se o êxito do evento contribuir de alguma forma para a estabilidade da presidente na pesquisa, haverá o que comemorar, mas realisticamente poucos arriscam o contrário, ou seja, na festa vivida pelo país como propulsora eleitoral.

Para os candidatos de oposição, pouco terá mudado também. Com percentual de desconhecimento ainda alto, os índices que registram refletem, em parte, a rejeição à candidatura oficial e devem se manter estáveis.

O mapa eleitoral que deve persistir até o início da propaganda na televisão indica um alto índice de rejeição ao PT,  maior que a Dilma, para o que muito contribuiu a longa exposição do julgamento do mensalão conjugado com o pessimismo econômico que tem bases de difícil reversão em curto prazo.

O percentual de desconhecimento dos candidatos de oposição – de 16% e 36% para Aécio Neves e Eduardo Campos, respectivamente -, e a desidratação da presidente em relação à campanha de 2010, são indicadores com tendência a se consolidar e a crescer desfavoravelmente à candidata oficial.

Dilma está em nítida desvantagem nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e com perda no Norte e Nordeste em relação a 2010. Nas três primeiras perde para a oposição por 1%, na simulação de segundo turno e, nas demais, que representam 1/3 do eleitorado, vence por 52%.

Consideradas as proporções desses colégios, a soma não a favorece hoje e a tendência, com a economia em baixa e a rejeição ao PT em alta , é a de que esse desequilíbrio aumente.  Sobretudo  se acrescentado ao cenário a ampliação da visibilidade dos candidatos oposicionistas com o horário de televisão.

Pesquisas anteriores mostraram bem esse viés em São Paulo, onde na simulação de segundo turno o candidato Eduardo Campos, mesmo desconhecido da maioria da população, vence a presidente. Significa que o eleitor, mesmo não conhecendo o candidato, o prefere à presidente. Rejeição pura.

A pesquisa de amanhã ainda refletirá o clima de festa, o que faz da que a suceder,  instrumento mais preciso, pelo distanciamento do evento, quando o país já terá voltado à rotina sem as medidas de emergência que garantiram a tranquilidade durante a Copa, com segurança redobrada e a mobilidade urbana facilitada pelos feriados.

 

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