A Lei do faz de conta

A Lei do faz de conta

João Bosco Rabello

17 de março de 2010 | 08h00

Foto: Dida Sampaio

Foto: Dida Sampaio

A interpretação do Advogado Geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, que libera o palanque de inaugurações do presidente Lula para a candidata Dilma Rousseff, depois de sua desincompatibilização, é questionável.

Adams parte do princípio de que a candidata estará em campanha às custas de seu partido, mas subirá ao palanque de Lula para fazer campanha.

O presidente, portanto, estará transformando um evento de agenda em palanque para sua candidata.

O custo dessa estrutura posta à disposição da candidata é do contribuinte. Lula estará ali por conta do erário e receberá uma candidata em campanha – porque aí já não será mais possível disfarçar isso.

Estará, portanto, colocando a estrutura custeada pelo governo à disposição da candidata para fazer campanha. Vai lhe dar visibilidade, mas também poupá-la de custos significativos.

É a revogação, na prática, da legislação que tenta emprestar algum critério ao uso do dinheiro público para favorecer candidatos.