A difícil costura de Aécio na formação das alianças regionais

João Bosco Rabello

15 Abril 2013 | 10h17

Ao que tudo indica, um fato consumado, a presidência do PSDB é estratégica para o senador Aécio Neves (MG), menos pelo que representa como fator de consolidação de sua candidatura no partido, e mais pela autoridade que lhe transfere para a condução dos acordos regionais essenciais à aliança para 2014.

Tivesse o PSDB hoje unidade interna, ao candidato não seria indispensável a presidência da legenda. Mas até mesmo a corrente que preferia outro nome para a disputa, e por conseqüência,  refratária ao seu comando, parece rendida à constatação de que prolongar o conflito os levará, em médio prazo, de partido a movimento.

O PSDB enfrenta dificuldades grandes para reproduzir o arco de alianças que, em 2010, garantiu 7 minutos e 18 segundos de de propaganda no rádio e na televisão para o candidato José Serra. Na última eleição, o tucano reuniu DEM, PPS, PMN, PTB e PTdoB em torno do projeto do partido de retorno ao poder: “O Brasil pode mais”, foi o batismo da coligação (alias, o mesmo slogan de Eduardo Campos agora).

Desta vez a concorrência é ainda mais acirrada: o pré-candidato não só enfrenta a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff, que consolidou em torno de si uma ampla coalizão de apoio no Congresso, como o encolhimento das bancadas de oposição.

Em 2006, DEM, PPS e PMN juntos somavam 90 deputados, sendo 65 do antigo PFL,  22 do partido socialista e 3 do PMN. As bancadas encolheram no pleito de 2010. O DEM elegeu 43, mas ainda sofreu novas perdas com a criação do PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e acabou reduzido a 31 deputados e, hoje, tem menos de 30. O PPS elegeu 12 deputados e tenta atrair a bancada de 4 parlamentares do PMN, num projeto de fusão com o partido.

Apesar da sintonia fina dos principais dirigentes do DEM com Aécio Neves, o partido é um pote de mágoas. O diretório de Pernambuco, por exemplo, cobiça a aliança com o presidenciável do PSB, o governador Eduardo Campos.

Os democratas se ressentem dos tucanos por não terem apoiado, ano passado, a candidatura do deputado federal Mendonça Filho à Prefeitura do Recife.

O PSDB lançou candidato próprio, o líder da oposição na Assembleia Legislativa, Daniel Coelho, que chegou em segundo lugar na disputa. Mendoncinha acabou em quarto lugar, atrás do candidato do PT. O candidato de Campos, Geraldo Júlio, venceu no primeiro turno.

Em Minas Gerais, o DEM considera inexpressiva a participação no governo de Antonio Anastasia (PSDB). O partido indicou o secretário de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, mas reivindica espaço maior na administração. E em Goiás, o presidente do DEM, deputado Ronaldo Caiado, rompeu com o governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição. A aliança nacional obrigaria reunir Perillo e Caiado no mesmo palanque.

Apesar desses problemas, a  tendência  é a reedição da aliança do DEM com o PSDB. A relação entre Aécio e dirigentes democratas – como o presidente do partido, senador José Agripino (RN), e o prefeito de Salvador, ACM Neto -, é a melhor possível. “O DEM deve seguir com PSDB, até por uma questão de sobrevivência partidária”, diz um dirigente tucano.

O PPS também não se decidiu ainda, e tenta uma fusão com o PMN para se fortalecer e valorizar o passe. A se confirmar o projeto, ficaria com 16 deputados e poderia atrair novos parlamentares. A fusão permite a troca de legenda sem a perda do mandato.

Parceiro do PSDB e DEM nas últimas corridas presidenciais, o PPS estreitou os laços com o PSB de Eduardo Campos. Em 2010, seu presidente nacional, deputado Roberto Freire, natural do Recife, transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, a pedido de José Serra, para compor o seu palanque.

Agora, entretanto, Freire sem perspectivas de reeleição por São Paulo, buscou o apoio de Eduardo Campos, que lhe sugeriu retornar o domicílio eleitoral para Pernambuco, onde tem força para garantir sua permanência na Câmara Federal.

O PTB, com uma bancada de 22 deputados, é requisitado pelos tucanos e por Eduardo Campos, que já enviou emissários para conversarem com o presidente licenciado da sigla, Roberto Jefferson.

Mas o partido espera um chamado do  governo, ao qual mantém fidelidade, votando nos projetos de interesse do Planalto. Assim faz na expectativa de materializar esse apoio em cargo no primeiro escalão. Cobra uma vaga na Esplanada, mas pode se contentar com uma vice-presidência do Banco do Brasil, que entrou no balcão de ofertas, vaga com a ida de César Borges (PR-BA) para o ministério dos Transportes.