A derrapada de Marco Maia

João Bosco Rabello

30 de maio de 2012 | 16h16

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), precisa esclarecer se a dúvida que alimenta sobre o comportamento do ministro Gilmar Mendes é do dirigente da instituição ou do deputado do Partido dos Trabalhadores.

Sua crítica pública teve o ímpeto do parlamentar engajado nas causas do partido e o descuido com o caráter institucional do cargo que ocupa.

A condição de parlamentar não o dispensa da postura institucional de presidente da Câmara, que impõe distanciamento das questões partidárias. A sincronia entre a sua declaração e a do presidente do PT, Rui Falcão, praticamente iguais, expõe ainda mais seu deslize, dando mais nitidez à impropriedade da crítica.

A crise gerada pelas versões da conversa entre o ex-presidente Lula e o ministro doSupremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é alvo agora de uma operação de paz em curso, envolvendo desde a presidente Dilma até o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto. A desajeitada entrada em cena do presidente da Câmara, na contramão desse esforço, soou estranha.

Um parlamentar lembrou hoje ao blog que Maia já arranhara a liturgia do cargo ao dele se afastar para uma viagem à Alemanha, sem licenciar-se para o exercício da função pela interina natural, a vice-presidente da Câmara, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), num episódio até hoje não esclarecido- nem o motivo da viagem e nem a razão do caráter secreto que ganhou.

 

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