A crise do vice do PSDB continua

A crise do vice do PSDB continua

João Bosco Rabello

26 de junho de 2010 | 21h00

jef

Twitter de Jefferson conseguiu o DEM, que não conseguira oferecer um nome e Serra.

Foto: Wilton Junior/Arquivo AE

O fato de o nome do senador Álvaro Dias vazar, ao invés de ser anunciado, é emblemático do amadorismo com que o PSDB conduz sua campanha eleitoral.

A escolha (?) de Dias não é de José Serra, mas do partido, sem consulta aos aliados, reproduzindo máxima corrente nos meios políticos de que o PSDB é um clube de notáveis e não um partido político.

E, nesse momento, com apenas um notável a bordo, o candidato, considerando que Aécio Neves reduziu se internou em Minas (e anunciou a volta ao surfe) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cansou de ser evitado pelo partido – assim como o DEM – e foi cuidar da vida.

A campanha ficou centralizada no candidato, a estrutura é precária, cada um é porta-voz de si mesmo e, nesse contexto, o principal aliado, o DEM, soube pelo twitter de Roberto Jefferson, do PTB, que havia sido preterido em favor de uma chapa puro-sangue com Álvaro Dias no lugar de Aécio Neves.

Serra já decidira que, sem Aécio, o melhor seria um vice figurativo, o que o levou a se fixar em nomes sem qualquer expressão política, como a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim.  Desconsiderou o acordo com o DEM (de que fora Aécio, a vaga seria sua) e brindou o eleitor com um festival de hesitações.

Esse processo humilhou o DEM que percebeu o constrangimento do PSDB em tê-lo como parceiro, submisso ao patrulhamento ideológico exercido pelo PT,  sustentado num conceito anacrônico de direita e esquerda que ainda sobrevive no Brasil.

O twitter de Jefferson uniu o DEM que não conseguira oferecer um nome a Serra durante todo esse tempo. As próximas horas definirão se a aliança terá a solidez de uma parceria ou se ficará limitada a acordos regionais sem envolvimento da militância.

A declaração de Dias de que desiste para pacificar o DEM e a atitude de Serra de lavar as mãos, dizendo-se alheio à decisão, são sintomas de que tudo pode voltar a ser como antes no quartel de Abrantes.

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