2018 em 2014

João Bosco Rabello

30 de julho de 2013 | 14h30

Não se pode assegurar como definitiva a circunstância de crise atravessada pelo governo Dilma Rousseff , assim como a continuidade do índice de 30% de aprovação da presidente,  insuficiente  para assegurar-lhe a reeleição. Feita a ressalva, o cenário presente indica que a disputa de 2014 ganhou a característica de eleição aberta, antes prevista para 2018, quando Dilma, concluído seu segundo mandato, não mais poderia concorrer.

Com índices altos de aprovação, a reeleição da presidente era considerada indiscutível. No máximo, admitia-se um eventual candidato no segundo turno, mesmo assim por um acidente de percurso.  O PT trabalhava com a reeleição em primeiro turno e, agora, sequer sabe quem apoiará Dilma, conforme seu presidente, Rui Falcão.

Foi ainda no período da Dilma popular que o governador Eduardo Campos, de Pernambuco,
lançou sua candidatura pelo PSB, aparentemente desafiando a lógica política, projetando a renúncia à condição de aliado, num momento em que tal status conferia vantagens indiscutíveis.

O fez pela determinação estratégica de criar um “recall” para 2018, ou seja, fazer-se conhecido nacionalmente agora. O importante não era vencer – e isso sequer era dado como possível -, mas carimbar o passaporte para a eleição em que novos nomes poderão concorrer, quebrando a polaridade PT-PSDB. Nesse contexto, a dupla condição de aliado e concorrente não incomodava o Planalto e não ameaçava a aliança.

A reforçar a máxima de que a política é como uma nuvem, ora está num lado, ora noutro, o chamado imponderável alterou o curso dos acontecimentos, criando um enredo inesperado a partir do que não parecia provável – o governo flertar com a inflação – ao que se seguiu o tsunami das ruas. Até porque não passava pelo raciocínio político que o futebol não tivesse mais o efeito do ópio e o padrão Fifa da Copa despertasse a população para os péssimos serviços oferecidos pelo governo.

A queda súbita de Dilma nas pesquisas, embalada pela reação errática do governo às cobranças, trouxe 2018 para 2014,  o que pode permanecer ou não, conforme a capacidade de reação do governo, que dependerá, por sua vez, da reversão dos índices negativos da economia, da retomada de um ciclo de investimentos e, sobretudo, de eficiência de gestão.

Não é pouco, considerando as barreiras colocadas pelo próprio governo, que o economista José Alexandre Scheinkmann, em entrevista à Folha de S.Paulo ontem, resume com propriedade como a combinação de ideologia, intervencionismo e incompetência (aqui se referindo à gestão).

Nesse contexto, o cenário para 2014 reúne, além de Dilma, três candidatos com potencial de vitória, todos beneficiários da fragilidade do governo, agravada pela campanha antecipada pela própria presidente. A eleição está aberta no cenário presente e uma reversão de expectativas, apesar de possível, não parece provável a partir dos movimentos do governo.

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