Whatsapp e democracia

Eder Brito

15 de outubro de 2014 | 17h49

O Whatsapp é um troço que realmente mudou minha vida. Agradeço todos os dias quando me lembro da dificuldade dos tempos de SMS ou do “estranho” ato de fazer ligações telefônicas. O aplicativo é sensacional e eu me comunico muito mais com pessoas com quem jamais falaria frequentemente se não fosse através do bendito negocinho. Os grupos em que você pode conversar e trocar conteúdo simultaneamente com vários amigos são a melhor parte. Um fórum permanente de bons encontros, que ajudam a aliviar a sensação de distância (e de “distanciamento” também).

Foi também por isso que fiquei feliz quando me deparei com o projeto de lei de Mizair Lemes Júnior, vereador de Goiânia. Ele sugere o uso do Whatsapp pela gestão municipal. De acordo com a sugestão do texto apresentado pelo vereador, linhas de telefone especiais de órgãos públicos teriam o aplicativo instalado, para receber informações, reclamações e permitirem a interação do cidadão com os serviços públicos. Uma tentativa de desburocratização, em que a Prefeitura conseguiria descobrir demandas que o “olhar do cidadão” sempre encontra primeiro (o que pode viabilizar a solução de alguns problemas de forma mais rápida) e também uma possibilidade de interação mais simpática e mais “moderna” entre Prefeitura e munícipe.

A sugestão partiu de um vereador muito jovem. Com apenas 24 anos de idade, Mizair filiou-se cedo ao PMDB e foi eleito aos 22, com 4.430 votos em 2012, tornando-se um dos mais jovens legisladores da história da capital goiana. Também já acumula o importante cargo de presidente do diretório metropolitano do PMDB na região. Muita história e responsabilidade? Não para uma família em que o pai também já foi vereador e ocupante de cargos relevantes na gestão municipal. Mas isto é outra história. Mizair é símbolo de uma outra coisa aqui no texto.

É símbolo de como a juventude pode fazer diferença na política local. É a “geração Y” do legislativo municipal brasileiro. A ideia de usar o Whatsapp é muito simples, mas é um indicador que, se aprovado, pode confirmar que a criatividade e a “conectividade” da juventude também têm vez em instituições tidas como negativamente burocráticas, atrasadas e modorrentas, caso das Câmaras Municipais (ou quaisquer casas legislativas) quando vistas pela ótica de muita gente.

Mizair não é nenhum herói do ponto de vista da criatividade. Fez apenas o que faria qualquer jovem de sua idade, ao perceber que pode aplicar a facilidade de comunicação do Whatsapp à outra dimensão de sua vida. A diferença é que ele está lá. Passou (e deve passar diariamente, no exercício do mandato) por um processo pelo qual poucos jovens querem ou irão passar. É uma exceção, nascido em uma família que, muito provavelmente, já respirava política.

É verdade que na lista de projetos de lei de Mizair também se encontram as tradicionais concessões de título de cidadão e instituição dos dias municipais de-alguma-coisa. Mas no quesito inovação, o jovem vereador merece o crédito, tão difícil de se conceder a agentes políticos. Que o projeto seja aprovado e ajude a população de Goiânia a melhorar o nível de comunicação com a Prefeitura, ajude a Prefeitura a melhorar o tempo de resposta a problemas pontuais e, principalmente, ajude-nos a perceber que precisamos de mais vereadores jovens em Câmaras Municipais do Brasil.

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