Tios, filhos, sobrinhos e Paes Landim

Humberto Dantas

21 de março de 2014 | 07h48

Paes Landim é uma cidade no Estado do Piauí com menos de cinco mil habitantes. É bastante óbvio que não há nada de aleatório no nome. A homenagem é feita ao antigo capitão Francisco Antônio Paes Landim Neto, ex-deputado estadual, filiado à UDN, que teve a honra de ver seus filhos envolvidos com a política. Assim, Paes Landim é também o nome de um político piauiense que está no sétimo mandato seguido como deputado federal, irmão de outros Paes Landim que foram deputados estaduais, de um que foi prefeito por duas vezes, mas que não governou a cidade de Paes Landim, e de um desembargador. José Francisco Paes Landim é o nome do deputado federal. Vive em Brasília faz anos, é acadêmico, formado em economia e direito, tem livros publicados e entrou para a vida pública na década de 60, antes de a cidade de Paes Landim surgir no mapa, ao menos com esse nome.

 

Em Paes Landim quem parece ter poder são as famílias Borges, Moura ou Mauriz, simplesmente por figurarem, desde 1963, na lista dos prefeitos. A família Paes Landim, pelo menos a geração tomada de políticos, é de uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, que moram a mais de 500 km da capital. Falamos de São João do Piauí. Lá, a história é um pouco diferente.

 

Distante 90 km de Paes Landim pela BR 020, como nos mostra o Google Maps, quem dava as cartas em São João era, aí sim, a família Paes Landim. O domínio era tão grande que foi possível criar grupos rivais sob o mesmo sobrenome. A matriarca, que em 2010 soprava mais de noventa velinhas, sonhava com a unidade, algo que costuma ter idas e vindas, como em qualquer grande família. O prefeito de São João em 2012, por exemplo, era Robert Paes Landim, adversário político do empresário, dono de uma emissora de rádio local e candidato a prefeito Abel Paes Landim. Diziam ao longo do último pleito local que o ex-prefeito Murilo, obviamente Paes Landim, apoiava Abel, que também contava com o aval do mais ilustre tio, o deputado dos sete mandatos que em 2010 teve mais de 40% dos votos da cidade – isso mesmo, quase metade dos votos para deputado federal numa cidade. Para completar o time, ainda existe Amparo. Não a cidade paulista, que nada tem a ver com isso, mas a suplente de deputada estadual Maria do Amparo, mãe do último prefeito e, obviamente: Paes Landim, e das grandes. Em 2010, teve 42% dos votos para deputada estadual na cidade. E qual o resultado das eleições de 2012? Abel Paes Landim ainda tem Modesto no sobrenome. E fazendo jus a isso, registrou um modesto terceiro e último lugar, atrás do candidato apoiado pelo outro núcleo da família, que ficou em segundo. O vencedor foi Gil Carlos, numa ampla aliança de opositores ao legado de décadas dos divididos Paes Landim. Pelo menos é isso que se apreende nos comentários de Wberlanil Dias, analista da política local – não adianta ler o nome dele ao contrário, pois também não fará sentido. Assim, quando a família se divide, a união da oposição faz a força – se bem que há quem diga que existem Paes Landim nessa terceira via também. E de quais partidos são todos esses políticos? Você daria alguma atenção para legendas nesse tipo de cenário? Eu também não.

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