Se fosse só uma mistura de nomes…

Humberto Dantas

29 de novembro de 2013 | 08h00

Pessoas têm nomes resultantes da mistura de outros nomes. Normalmente um pedaço do nome do pai com um pedaço do nome da mãe. E assim nasceu Roquildes, de mãe Hildes  e pai Roque. Ou Elisandra, de pai Elias e mãe Sandra. No site BabyCenter a mamãe Ericka se orgulha de seu Derick, um nome até certo ponto comum, mas justificado pela mistura com o marido Dioclesio. O jornalista Jolivaldo Freitas dá alguns dos exemplos acima ao Metro 1 e diz que é mania do Nordeste brasileiro. Pode ser…

 

E nesse embalo não é que cidades também são batizadas assim? É o caso de Olivença, no sertão de Alagoas que além de viver na lista dos 50 piores IDHs do Brasil é resultado de uma dessas mesclas. Por lá o resultado vem da soma dos nomes de pelo menos duas famílias importantes: Vieira e Oliveira. Terminar em ENÇA pode indicar que existia um terceiro clã nessa história, mas não se localiza facilmente tal questão na cidade, tampouco os fatos são relatados de forma clara no site da prefeitura. Por lá o que se lê é isso: “em 1959 (…) foi elevada à condição de município autônomo com o nome de Olivença, que caracteriza a junção dos sobrenomes das famílias fundadoras do município”. E lá estavam os Vieira de Oliveira – que por sinal é bem mais famoso em craques como Sócrates e Raí, filhos de cearenses.

 

Mas voltemos à Olivença. Lá o prefeito é Vieira (PP), e seu principal adversário em 2012 foi Oliveira (PRP). Teriam separado as famílias? Pode ser. Mas também pode ser coincidência. Vieira ganhou as eleições de 2012 com mais de mil votos de vantagem (3.648) sobre Oliveira (2.646). Vieira é simplesmente Jorginaldo, conhecido como Véio. Enquanto Oliveira atende pelo nome de Jenisson , ou Jeno. E nem experimente abrir a lista de candidatos a vereador, pois Rommel, Rizoneide e Petrúcia Carla ilustram bem o que encontraremos na cidade. Parte expressiva deles: Vieira ou Oliveira, e é assim.

 

Assim também é a mania de os gestores públicos se envolverem em problemas. Maílson  de Oliveira, ex-prefeito de Olivença, foi condenado a mais de seis anos de prisão por alterar convênio federal destinado à construção de uma barragem – o processo mostra que a obra foi feita em terreno particular em licitação fraudada que beneficiou empresa inapta. Nessa onda de bons tratos à grana, de acordo com o portal Cada Minuto, para revolta de populares, em novembro o filho do prefeito esbanjava fotos em preto em branco na internet se abraçando com notas de R$ 50. E quem esclareceu o fato? Um servidor público. Mais especificamente o Procurador do Município, escalado para “apagar incêndios” na casa do prefeito. Detalhe: o montante abraçado totalizava R$ 800 e seria utilizado para a reforma de uma moto, destacando que Jorginaldo , o filho, tem menos de 18 anos. O apego pelo dinheiro, no entanto, é de gente grande. Por sinal, saiba que Olivença um dia se chamou Capim, o que torna inevitável lembrar de “Os Trapalhões” e o célebre apego de Didi por dinheiro, bufunfa, arame, CAPIM! Pois é… quem não gosta?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: