Se essa rua fosse minha

Eder Brito

05 de fevereiro de 2014 | 08h00

Por Eder Brito

O bairro é Campo de Belém e o município é Caxias, no Maranhão. É lá que fica a Rua José Sarney. Ela começa ali perto do final da Rua Marinha, um pouco antes do campo de futebol e seis quarteirões depois termina lá na Rua da Glória. O mais engraçado é que a Rua José Sarney também cruza com a Travessa José Sarney. Na falta de uma, o ex-presidente e atual Senador ganhou duas homenagens. Alguns quarteirões acima ficam outras duas importantes ruas de Caxias: a Rua Castelo Branco e a Rua Ernesto Geisel, devidamente batizadas em homenagens aos generais e ex-Presidentes da República Federativa do Brasil.

O mais engraçado é notar que no dia 24 de Outubro de 1977, foi o próprio Geisel quem assinou a Lei nº 6454, válida até hoje. Ela dispõe sobre a denominação de logradouros e diz em seu artigo 1º que é proibido atribuir nome de pessoa viva, em qualquer modalidade, a bem público. Além de ruas, a regra também vale para obras, serviços e monumentos. Geisel “ganhou o direito” em 1996, quando faleceu aos 89 anos e Castelo Branco há muito mais tempo, no longínquo julho de 1967. Sarney e suas ruas e travessas permanecem vivos e operantes.

O Senador e pai da Roseana também dá nome a um município do Maranhão (como o Humberto bem lembrou neste post) e a outra rua, no município de Guarapari, no Espírito Santo. O Ministério Público de lá até tentou alterar o negócio, mas a rua permanece com o nome, atravessando o bairro e desembocando na Avenida Água Marinha, obviamente próxima à praia (a bela Praia de Una).

Vasculhe o mapa brasileiro com afinco e você ainda encontrará a Rua José Sarney no bairro Coroado, em plena Manaus. Por lá, ao contrário do que acontece em Caxias, onde José Sarney fica ladeado de ex-militares, o local é paralelo à Rua Francisco Bambolê, nome que traz lembranças muito mais divertidas.

E o Rio de Janeiro continua lindo, mas também homenageia o político em questão. A Rua José Sarney pode ser encontrada ali na Penha Circular, na região onde 90% das ruas foram batizadas com nomes apetitosos como Trigo, Feijão, Alho, Farinha, Batata, Soja, Milho e até Cevada e Alpiste. No bairro inteiro, é só mesmo a Rua José Sarney que não dá pra engolir.

 

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