Salário até o fim da vida para vereadores no RJ!

Camila Tuchlinski

04 de novembro de 2016 | 13h33

É isso mesmo que você leu no título. Em uma semana “quebrada” por um feriado de um dia – Finados – os vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro tentaram aprovar uma lei que estabelece salário vitalício mesmo após fim do mandato. Até que ponto esse tipo de concessão É ilegal? Ou imoral? Abuso de poder?

De autoria do vereador João Cabral, do PMDB, o projeto previa que os vereadores com três mandatos seguidos ou quatro intercalados tivessem o direito de receber um salário de R$ 15 mil até o fim da vida. Ao criar a proposta, o peemedebista argumentou que um vereador com esse tempo de Casa seriam considerados “funcionários públicos municipais”.

Na véspera do feriado, mais precisamente às 18 horas, quase fim do expediente, os vereadores decidiram colocar o projeto na pauta, em caráter de urgência. Por unanimidade, rejeitaram a proposta e o texto será arquivado. Os nobres políticos se tocaram do absurdo? Não! Por força da mídia, que publicou de forma massiva a intenção, e devido à vitalização nas redes sociais, os vereadores perceberam que tal lei pegaria muuuuito mal.

Outra coisa: se o projeto foi rejeitado por unanimidade, e o autor da proposta? Nem o vereador João Cabral, do PMDB, teve coragem de se manifestar em plenário. Preferiu se abster. Ele não foi reeleito nas últimas eleições para um próximo mandato. Talvez isso justifique o desespero de João Cabral para aprovar esse projeto, já que a partir de janeiro estará desempregado como 12 milhões de brasileiros!

Em plenário, o vereador do PP Marcelinho D’Almeida proferiu: “Eu já tenho quatro mandatos e nunca vi tanta reação com uma notícia. Acho que é preciso ter mais respeito com a gente”. A líder do PSDB na Câmara, Teresa Bergher, declarou:
“Além de inconstitucional, o projeto é uma vergonha, porque os vereadores se auto beneficiam, ainda mais em um momento de crise”.

Trinta e cinco vereadores apoiaram a apreciação da proposta inicialmente. São eles:
Alexandre Isquierdo, Átila A. Nunes, Carlo Caiado, Carlos Bolsonaro, Chiquinho Brazão, Dr.Carlos Eduardo, Dr.Eduardo Moura, Dr.Jairinho, Dr.João Ricardo, Dr.Jorge Manaia, Edson Zanata, Eduardão, Eliseu Kessler, Jimmy Pereira, João Mendes de Jesus, Jorge Braz, Jorginho da SOS, Laura Carneiro, Leila do Flamengo, Leonel Brizola, Marcelino D’almeida, Marcelo Arar, Marcio Garcia, Paulo Messina, Prof.Uoston, Prof. Célio Lupparelli, Professor Rogério Rocal, Rafael Aloisio Freitas, Rosa Fernandes, Tânia Bastos, Thiago K. Ribeiro, Veronica Costa, Willian Coelho e Zico. Nem todos os vereadores assumem que apoiaram previamente a proposta. Agoniza, democracia!

Nesta segunda-feira, a assessoria de imprensa de Paulo Messina declarou, ao BLOG DO DANTAS, que o vereador “deu apoiamento” e não “apoiou” o projeto. De acordo com o gabinete do político, “dar apoiamento” é de praxe para qualquer questão que será avaliada na Casa.

Para dirimir qualquer questão semântica, eis o link: http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/scpro1316.nsf/0cfaa89fb497093603257735005eb2bc/93783c84aac5c44d83257e6e00652a0f?OpenDocument 

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