Quer apostar?

Humberto Dantas

30 de setembro de 2013 | 10h00

A história mostra que nos últimos anos houve verdadeira “diáspora” do nordeste brasileiro em direção aos restaurantes japoneses de São Paulo. Inicialmente o movimento teve um destino específico: a zona oeste da capital e a boêmia Vila Madalena. Assim, nada de funcionários de olhos puxados saudando clientes sob uma terminologia oriental nas ladeiras que cortam o bairro. A moda era despojada, responsável pela febre dos rodízios de sushis tropicalizados feitos com goiabada, banana, couve e outras iguarias  brasileiras.

 

Em meio a todo esse movimento chama atenção a quantidade de cidadãos de Cordeiros que deixou a Bahia.  Ou seja, não só o destino foi pontual, mas também a origem. A pequena cidade de sete mil habitantes, distante quase 700 km de Salvador, recebeu esse nome em alusão ao capitão Manoel Cordeiro da Silva, homenageado em 1938 quando o status ainda era de povoado – antes de virar município na década de 60 o local ainda se chamaria Mandacaru. E como o clássico nordestino diz que quando o “mandacaru flora lá na seca, é sinal que a chuva chega no sertão” pode ser que a água não tenha vindo, servindo de razão para a busca de trabalho na “cidade grande”.

 

Assim, teria sido essa a razão que trouxe o cordeirense intitulado pioneiro da culinária oriental na sua cidade para São Paulo? Antonio Aparecido de Pereira chegou em 1986. Seu amigo José Roberto de Oliveira veio depois. E como os últimos serão os primeiros, Zé de Betina, como é conhecido o segundo, foi eleito prefeito de Cordeiros em 2008, levando consigo o primeiro como vice. A aventura, no entanto, terminou mal: em 2010 ambos foram cassados sob a acusação de compra de votos e abuso do poder econômico, caracterizado pelo envio de três ônibus com 90 eleitores vindos da capital paulista.

 

O contingente parece pequeno, mas a vitória dos saquê-boys se deu por pouco mais de 100 cidadãos que pressionaram o 13, viram suas fotos e cravaram o botão verde. Mas de onde veio a ideia de promover a bizarrice? Converse com um garçom de Cordeiros e logo perceberás o que representa uma eleição. A origem de disputas ácidas pode estar associada a uma capacidade de transformarem TUDO em apostas. De uma partida do campeonato brasileiro a uma mão de caixeta. Da pelada após o expediente às eleições. É isso mesmo: em 2008 um funcionário de um restaurante reclamava a perda de um cavalo numa aposta. Sua família era do grupo oposto ao de Betina. Diante do ato pouco republicano não causa surpresa lembrar que os irmãos Vieira, envolvidos na Operação Porto Seguro da Polícia Federal, quando jovens viviam por Cordeiros reclamando da pobreza. De origem humilde, resta saber no que foram capazes de apostar para prosperar. Uma dica seria lembrarmos Rose Noronha, “amiga” do ex-presidente Lula, que para as línguas mais ferinas nos faria completar o clássico de Luiz Gonzaga: “ela só quer, só pensa em namorar”…

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