Que Maravilha!

Que Maravilha!

Humberto Dantas

02 Julho 2017 | 22h52

Maravilha era a goleira da seleção brasileira feminina de futebol, e embaixo de nossas traves ela ficou por anos. Maravilha também era a super-heroína que foi reativada recentemente trocando os desenhos, os quadrinhos e os seriados por um longa metragem digno de seus poderes. “Que Maravilha” era nome de uma canção de Jorge Benjor, bem como é o bordão de um famoso chefe de cozinha francês que virou astro de TV no Brasil

Mas Maravilha é também um município em Santa Catarina, governada por esposa de político conhecido no estado, com alto potencial para ser mais um exemplo de como as coisas são sempre as mesmas em nossa vida pública.

Mas a foto que vemos aqui nos permite pensar um pouco diferente. Ou ao menos esperamos ter razões pra isso. O placar eletrônico instalado na cidade carrega dados mensais de receitas e despesas, bem como acumulados do ano, e no mandato anterior, da mesma prefeita eleita em 2012 e reeleita em 2016 com pouco mais de 50% dos votos, ele já estava por lá. Que maravilha!

Fonte: Mikael Linder, grande amigo catarinense que foi à Maravilha

 

A iniciativa é bacana e vi algo assim, muito mais simples, no litoral do Ceará em 2004. Estava viajando em começo de namoro com a minha esposa e nos deparamos com as contas públicas pintadas num muro. Entrei no mercadinho local para pedir uma informação e perguntei quem sabia ler aquilo tudo. O dono do estabelecimento disse que as aulas de matemática na escola se encarregavam de dar boas pistas – educação cidadã na veia, que maravilha! Quando voltei à cidade, anos depois, um novo prefeito, de grupo político adversário do anterior, distribuía jornais impressos com dinheiro público em tom de criminoso auto louvor. Tristeza!

Em Maravilha, Santa Catarina, esperamos ter razões de sobra pra pensar que a prefeita seria a “mulher maravilha”. Não por seus dotes heroicos, pois isso é o que existe de pior em nossa cultura política, mas por promover transparência. Será que as escolas ensinam os alunos a ficarem “de olho no placar”? Será que as pessoas dimensionam bem o conteúdo do mostrador? Bom, respostas pra essas perguntas exigem uma visita que seria maravilhosa. Quem sabe um dia? Que maravilha!