Publicidade que não acaba mais

Publicidade que não acaba mais

Camila Tuchlinski

06 Junho 2014 | 08h00

Não é de hoje que os paulistanos percebem a existência de publicidade nos pontos de ônibus. Mas, de uns meses para cá, a poluição visual não dá para ser desprezada. Ainda mais se você estiver voltando para casa do trabalho, com aquela baita fome, e dá de cara com um hambúrguer gigante de uma grande rede de fast food!

Com raiva por não conseguir saciar a vontade, você começa a lembrar de uma tal Lei Cidade Limpa, aprovada na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, e que prometia organizar a paisagem de São Paulo. Indignado (a) com a agressão visual (ou sob efeito da fome mesmo!), pega o celular e procura as normas da lei. Aí vem o tapa na cara. O artigo 18 da lei 14.223 de 2006 diz: “Fica proibida, no âmbito do Município de São Paulo, a colocação de anúncio publicitário nos imóveis públicos e privados, edificados ou não.” Porém, a lei permite aos anunciantes a opção de usar itens do mobiliário público urbano, como abrigos de ônibus, relógios públicos e placas de rua.

Na atual gestão Fernando Haddad, o mercado publicitário tem espaço garantido em pontos estratégicos do ‘mobiliário público urbano’. Só na avenida Paulista, cartão postal da cidade, é uma overdose de propaganda em pontos de ônibus. E marcas poderosas! Agora, o ‘tema’ é Copa do Mundo.

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 Ponto de ônibus na avenida Paulista. Copa é tema principal das propagandas (foto: Camila Tuchlinski)

Na campanha eleitoral de 2012, Haddad prometia ‘um novo tempo para São Paulo’. Coincidência ou não, esse é o slogan dos relógios de rua que ainda não estão em funcionamento, mas que prometem que você ‘nunca mais vai perder hora’. Se você passa em frente a um desses mobiliários urbanos, sabe do que estou falando. Aliás, se dependesse de alguns desses relógios, já teria perdido a hora sim, viu…

Bom, fora do mobiliário público urbano, há dezenas de empresários que reformaram as fachadas de seus estabelecimentos e colocaram letreiros gigantes a vista, mas para dentro da vitrine de vidro. Um jeitinho brasileiro de burlar a Lei Cidade Limpa?

Não importa se o prefeito é de partido ‘A’ ou ‘B’. A população merece respeito. A poluição visual era um mal que havia sido combatido a duras penas e, agora, volta com tudo à cena paulistana. Resta saber se o dinheiro arrecadado com a publicidade (e que passa certamente dos milhões de reais) está sendo revertido em melhorias para a população. No caso do transporte público, bem que poderiam comprar mais ônibus, não é?