“Prefeito padre” sofre impeachment com direito a incêndio misterioso

“Prefeito padre” sofre impeachment com direito a incêndio misterioso

Camila Tuchlinski

19 de fevereiro de 2016 | 08h03

A pacata cidade de Cristianápolis, no extremo sul do Estado de Sergipe, tem menos de 20 mil habitantes. Mas as últimas semanas, pelo menos na área política, não foram tão calmas assim no município. O prefeito da cidade, que é padre, sofreu um processo de impeachment por ser acusado de envolvimento em fraudes em licitações, peculado e improbidade administrativa.

Em 2012, Raimundo da Silva Leal foi eleito pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com 5.437 votos ou 59% do eleitorado. Até então, o padre nunca havia exercido cargo político e concorreu pela primeira vez ao cargo. Em julho de 2015, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) votou pela irregularidade das contas da Prefeitura de Cristinápolis, com aplicação de multa de R$ 5 mil. Quatro meses depois, os vereadores da Câmara da cidade aprovaram a análise do impeachment após uma CPI encontrar irregularidades na administração de Raimundo da Silva. Logo depois do carnaval deste ano, os vereadores sentaram para discutir o assunto. E bota discussão nisso!

Um dia antes da sessão, houve um incêndio misterioso em um dos departamentos da Câmara Municipal de Cristianápolis. Às duas horas da madrugada do último dia 12, homens invadiram a Casa e queimaram documentos que, segundo vereadores, estavam relacionados às irregularidades do “prefeito padre”. Em entrevista à uma rádio local, o vereador e vice-presidente da Câmara, Zé de Alaide, lamentou a ação: “Foi um trabalho de três a quatro meses produzido pela comissão processual que detectou inúmeras irregularidades na prefeitura do município. É muito triste essa situação”. A polícia apura o caso em sigilo, mas o delegado responsável já sinalizou que a principal linha de investigação é incêndio criminoso.

CAMARA

Fonte: Portal Infonet

Apesar do tumulto da madrugada, os vereadores decidiram dar sequência a sessão. Do lado de fora da Câmara, alguns moradores faziam apostas, com notas de R$ 50 e R$100, sobre a saída ou não do prefeito! É isso mesmo, apostas! Imagina se o processo contra a presidente Dilma é aprovado, como será…será que o povo faria ‘apostas’ também? Bom, de toda forma, a cassação do mandato foi votada e aprovada por nove vereadores em uma sessão tumultuada na Câmara.

O prefeito de Cristinápolis, Padre Raimundo Leal, ficou surpreso com a notícia, de acordo com a assessoria de imprensa, e ainda vai avaliar o caso. Com o impeachment, assume o vice-prefeito, João Dantas, do PSC. Fora do cargo, agora o “prefeito padre” ou “padre prefeito” terá todo o tempo para se defender das acusações.

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