Prefeita de Pauini (AM), ficha-suja, continua roubando cofres públicos!

Camila Tuchlinski

24 de junho de 2016 | 08h03

O caso que relato a seguir aqui no BLOG DO DANTAS é um dos mais escandalosos que já soube, até agora, em um município pouco conhecido! No último dia 09, o repórter Fausto Macedo, do Estadão, noticiou a prisão de Maria Barroso, prefeita de Pauini, no Amazonas. Para chegar até a cidade, partindo de Manaus, é preciso viajar mais de dois mil quilômetros de barco. A economia do município não sobreviveria sem o dinheiro que chega do governo da União e do Estado. Mas, afinal, por que ela foi detida?

A Polícia Federal descobriu que Maria Barroso desviou R$ 15 milhões das áreas da Saúde e Educação. Quantas crianças têm o conhecimento roubado enquanto você lê este post graças a administração medíocre da prefeita? Quantos munícipes morreram por falta de atendimento? Os agentes federais descobriram que remédios comprados de uma drogaria de fachada vinculada ao secretário de Finanças da gestão Maria Barroso ‘não foram entregues ao município e houve desvio de recursos do Programa Saúde na Família pelo genro da prefeita, que é falso médico e cooptou mais cinco falsos médicos que atuavam sob um único registro profissional’. Ela contratou falsos médicos por salários de R$ 20 mil! Fausto Macedo procurou a prefeita de Pauini, mas não foi localizada para se defender.

Segundo a PF, a atuação de Maria Barroso é semelhante a ‘desmandos do governo no Brasil imperial’. No século XVIII, diversos poemas circulavam em Vila Rica, com críticas à administração mediana. Por isso, a operação que prendeu a prefeita agora, em 2016, foi batizada de Cartas Chilenas. Além dos desvios, a prefeita mandou lavar um micro ônibus por R$ 1.780 (o que daria para uma ducha em uns 35 ônibus a um custo de R$50). Também mandou comprar 500 bolas para apenas uma quadra esportiva. Um ‘incentivo’ em ano de Olimpíada? Sou cética em relação à isso…

Até agora, parece mais um caso de roubalheira que virou rotina no Brasil. O peculiar da história é que Maria Barroso não cometeu crime pela primeira vez. E pasme: foi condenada pela mesma Justiça que a ‘absolveu’.

Há três anos, ela foi cassada por dar telhas de alumínio e tábuas de madeira em troca de votos. E, mesmo inelegível por oito anos, o juiz Flávio Henrique de Freitas, da 44.ª zona eleitoral do Amazonas, entendeu que Maria deveria continuar no poder para evitar ‘instabilidade política’. A prefeita era do PMDB (agora PROS). Seus secretários municipais de Obras e de Assistência Social colocaram a mão na massa na compra de votos, diretamente com a população, em 2012, para reeleição de Maria Barroso. Ela teve de pagar uma multa de R$2,4 mil e os secretários, R$ 24 mil! A decisão do magistrado de cassar o mandato foi engavetada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, por cinco votos a zero. E então, a Corte lhe devolveu o mandato em definitivo.

Até quando teremos fichas-sujas comandando uma cidade, um Estado ou o País? Até quando a população será refém desses sistemas político e jurídico ineficazes? Até quando?!

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