Piracicaba não é Limeira, mas azedou!

Camila Tuchlinski

17 Abril 2015 | 11h37

No post da semana passada, trouxe a história da cidade de Limeira, que literalmente ‘azedou’ por causa do reajuste de mais de 100% nos salários dos vereadores (e concedido por eles mesmos!). Agora, é a vez de Piracicaba, também no interior paulista.

Desde o ano passado, a população local protesta contra o reajuste de 5,44% no salário dos vereadores da cidade, concedido em março do ano passado, por meio da Lei Municipal 7.862.

Os políticos argumentam ao Ministério Público, que acompanha o caso de perto, que o valor era necessário para repor as perdas inflacionárias. Além disso, em 2011, outra lei (7.062) definiu que os salários passassem de R$ 6.568,35 para R$ 10.900. Com mais 5,44% de reajuste, cada vereador receberia R$ 11.445 por mês.

Insatisfeitos com a situação atual, moradores de Piracicaba decidiram dar um basta e criaram o grupo ‘Reaja Piracicaba’, com direito a página no Facebook https://www.facebook.com/reajapiracicaba

FOTO PIRA PROTESTO

(foto: Reaja Piracicaba – Facebook)

Em 2012, o grupo liderou o protesto contra o reajuste dos parlamentares e conseguiu juntar 25 mil assinaturas, inclusive de candidatos à vereadores que se comprometeram a trabalhar pela revogação do salário. Mas a maioria dos que firmaram acordo não se elegeu.

O ‘Reaja Piracicaba’ é um exemplo de que, unida, a população ganha força! Agora, em março de 2015, o grupo conseguiu fazer tanto barulho que a Justiça teve de intervir. O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a suspensão da medida na Câmara Municipal de Piracicaba e considerou uma ‘ofensa’ à Constituição a lei que fala sobre o reajuste. Além disso, o TJ chama atenção para o risco de lesão às finanças do município. Existe um inquérito na Promotoria que investiga o caso. A assessoria do Legislativo local, por enquanto, não se manifesta sobre o assunto. Avança, de novo, democracia!