Os Belinati e o dinheiro público de Londrina (PR)

Camila Tuchlinski

13 Novembro 2015 | 08h12

A Justiça condenou, nesta semana, o ex-prefeito de Londrina, no norte do Paraná, Antônio Belinati, do PP, e mais 14 pessoas a devolverem mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos. O caso é antigo e se refere a denúncias feitas em 1998, no terceiro mandato de Belinati na Prefeitura da cidade. Na época, duas empresas foram contratadas para prestar serviços no Autódromo Internacional de Londrina e no Estádio do Café, receberam R$ 374 mil pelo trabalho, que nunca foi feito. De acordo com a sentença do juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública, “os serviços de vigilância, limpeza e conservação licitados jamais foram prestados”. Segundo o Ministério Público do Paraná, a contratação foi fraudulenta e o dinheiro teria sido desviado para despesas de divulgação da candidatura a deputado estadual de Antônio Carlos Belinati, filho do ex-prefeito de Londrina, na campanha eleitoral de 1998.

Antônio Belinati foi prefeito de Londrina por três vezes. Existem outros processos o envolvendo em esquemas suspeitos de corrupção. Hoje, com 70 anos de idade, não pode ser preso, conforme o Código Penal Brasileiro, que estabelece que, quando o réu completa 70 anos, o prazo prescricional cai pela metade. No entanto, as ações por improbidade administrativa não prescrevem, já que a pena pode ser a devolução dos valores desviados.

Em outra situação que envolvia esquema em um contrato de roçagem com a Ama/Comurb, o ex-prefeito foi acusado de licitações fraudulentas na Companhia Municipal de Urbanização da cidade.

Mas, por onde anda Antônio Belinati? A história dele é semelhante a de muitos políticos que cometem irregularidades e voltam aos cargos, ou seja, reconduzidos “pelos braços do povo”! Em 2000, Belinati teve o mandato cassado pelos vereadores por abusos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil e só poderia voltar a disputar as eleições quatro anos depois. Em 2006, foi eleito deputado e, dois anos depois, voltou a concorrer a prefeitura de Londrina. E venceu! Ele seria prefeito pela quarta vez, mas a candidatura foi cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Esse caso merece uma reflexão pois, como já mencionei aqui, não é uma exceção. Diversos políticos em cargos Executivos e Legislativos fazem o que querem: conchavos, mandos e desmandos, alianças suspeitas. A imprensa divulga. E a população continua votando nesses “elementos”. Começo a questionar a velha frase “o brasileiro tem memória curta”. Será que tem mesmo?