Open bar de guaraná

Eder Brito

16 de dezembro de 2015 | 22h37

Há uma nova tendência em Câmaras Municipais no Brasil. Vereadores de diferentes regiões do país estão sugerindo projetos de lei que querem regular o mesmo tema: festas open bar. Alegando que o consumo de bebidas alcoólicas é muito maior nesse tipo de evento e que, consequentemente, aumentam os acidentes com morte, os representantes estão realizando audiências públicas e convidando a população de seus municípios a refletir sobre o assunto.

Temos exemplos em Curitiba-PR e São José do Rio Preto-SP, onde os projetos de lei foram apresentados pelos vereadores José Carlos Chicarelli (PSDC) e Marcos Larranhaga (PSC), o que num primeiro momento, pode até levar à uma interpretação do tradicionalposicionamento “religioso” das legendas aqui representadas. No caso do vereador Larranhaga, em Rio Preto, junte-se o fato de que ele é policial rodoviário e já teve contato com uma amostragem grande de acidentes causados por excesso de consumo de álcool. Em Ponta Grossa-PR, com o PL do vereador Izaias Salustiano e em Salvador-BA, com o projeto de Heber Santana (PSC), vereador ligado à Igreja Batista Missionária poderia até ser reforçada a tese “cristã”. Mas a amostragem cresce em outros sentidos.

Em Rondonópolis-MT, o projeto é dos vereadores Olímpio Alves (PR) e Jailton do Pesque Pague (PDT). Também alegam que muitas dessas festas são realizadas em sítios, chácaras e outros locais próximos a rodovia, de difícil acesso e fiscalização. São bons lugares para pescar, mas não são bons lugares para beber e dirigir na sequência. Muitos dos vereadores também apresentam seus projetos de lei alegando que as festas open bar obrigam os jovens a consumir mais bebidas, para “fazer valer o preço do ingresso”.

Em Pelotas-RS, o vereador Marcos Ferreira (PT) disse que, antes de apresentar o projeto, ouviu muitas famílias que tiveram parentes envolvidos em acidentes ou casos de abuso sexual ligados ao excessivo consumo de bebidas alcoólicas. O PT também viu Luis Eustáquio, outro vereador da legenda sugerindo projeto muito parecido em outra capital: Recife, em Pernambuco. Em Marília, no interior de São Paulo, as discussões já foram encerradas e a lei foi aprovada. Agora é proibido realizar qualquer tipo de festa open bar no município.

Outros vereadores apelam também para o Código de Defesa do Consumidor na hora de redigirem as justificativas de seus projetos. Dizem que “quem não bebe, paga por quem bebe” e também acusam o procedimento de configurar uma venda casada, já que as pessoas são “obrigadas” a adquirir um produto vinculado ao acesso à festa. Esse foram alguns dos argumentos utilizados pelo vereador Juca do Guaraná (PT do B), em Cuiabá-MT.

Juca é conhecido como Juca do Guaraná Filho e herdou a vocação e o capital político do pai, ex-vereador da capital. Ele é empresário do ramo de transportes e do ramo de bebidas… não alcoólicas. Além do projeto de lei anti-open bar, ele também já apresentou outros projetos que afetam a indústria de bebidas alcoólicas, como, por exemplo, o texto que obriga empresas fabricantes a incluírem nos rótulos de seus produtos, fotografias de veículos que sofreram colisão com mortes, além de estatísticas de acidentes ocasionados por excesso de bebida alcoólica. Guaraná é candidato à reeleição em 2016 e já avisou que também vai tentar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2018. Se ganhar, o brinde da vitória será gaseificado, mas com teor alcoólico zero.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.