Onde Zé é alguém

Eder Brito

27 de novembro de 2013 | 08h00

Por Eder Brito

José é o nome masculino mais comum no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada em 2011 com a base de CPF’s do país, existem quase 8 milhões de Zés em todo o território nacional. No município mineiro chamado Josenópolis, a 700 quilômetros de distância de Belo Horizonte, o nome parece ter um efeito muito mais poderoso do que simplesmente o poder de engrossar as estatísticas dos cartórios. Chamar-se José parece fornecer um capital político “diferenciado” ao feliz batizado.

Basta olhar para a história eleitoral recente de Josenópolis e a evidência insiste em aparecer. O atual prefeito é José Nilson Pestana (PTB), ex-vereador, eleito prefeito depois de uma apertada vitória sobre José Ilson Pereira Costa (PSDB), candidato que ficou menos de 300 votos atrás do outro Zé. Na Câmara Municipal, os Josés também são maioria. José Diuson Luiz Vieira, José Maria Ribeiro e José Hilton Jorge de Oliveira representam o povo josenopolense em uma casa com 9 vereadores. Em outubro de 2012, 7 Josés foram candidatos dentre os 38 que tentaram a sorte nas eleições locais. Justiça seja feita: 3 Joãos e 3 Marias também tentaram.

Josenópolis só virou município na década de 90, mas a origem do nome e da “herança” política data do começo do século XX. Em 1911, um padre chamado José de Carvalho reuniu-se com quatro figuras importantes da região: José Lino Martins, José Luiz Gonzaga, José Fidelis e Manoel José Lino. Decidiram construir uma escola, um cemitério e uma igreja. Assim que terminaram a construção da igreja, o padre trouxe uma imagem de São José.

Ironicamente a gestão 2013-2016 é a primeira que vê um José sentar-se na cadeira de Prefeito na história recente de Josenópolis. Um Gumercino foi Prefeito por duas vezes, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004, carregando a alcunha sortuda no sobrenome: Gumercino José Pestana.

Em 2009, ele tentou um novo mandato, mas não conseguiu voltar à Prefeitura. Gumercino perdeu as eleições para Diva de Andrade que conquistou o mandato naquele ano. Diva tinha uma arma secreta: o vice-prefeito, senhor José Ildeu Pereira Costa. Diva viu aquela gestão passar com o maior número de Josés na história do Legislativo da cidade. José Aparecido Dias Viana, José Fidelis Pereira, José Hilton Jorge de Oliveira e José Nilton Pestana (o futuro prefeito) eram maioria absoluta ao lado de Antônio, Daniel, Gerson, Maria e Orlando. Em 2004, outro recorde histórico para os Josés: 30% dos candidatos a vereador na cidade eram homens batizados com o nome mais comum do país.

E enquanto o resto do país discute o estado de saúde, a história e o futuro de dois Josés, Josenópolis segue tranquila no interior de Minas Gerais, esperando o próximo Zé. Ou não.

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