O motorista voador

Humberto Dantas

04 Novembro 2015 | 18h24

Um carro voando, pilotado por um cidadão de sobrenome Rolim poderia facilmente nos remeter, em uma piada de gosto duvidoso, ao finado comandante fundador das linhas aéreas TAM – Rolim Amaro. A história, no entanto, é bem pior do que parece. Não se trata apenas de um simples motorista que cometeu um erro e sofreu um acidente. E antes que eu continue a história adianto que os dois ocupantes do veículo sofreram apenas leves escoriações.

 

O fato ganhou as páginas da web nos últimos dias e contaminou as redes sociais. O condutor era o prefeito da cidade maranhense de Codó, que na minha juventude sempre foi lembrada como a cidade de nascimento de Françoaldo Sena de Souza, o França, artilheiro do São Paulo Futebol Clube entre 1995 e 2002 – 327 jogos e 182 gols. Mas nosso assunto em nada se aproxima do esporte mais querido dos brasileiros. Zito Rolim, o dito prefeito eleito pelo PV, ganhou as eleições de 2008 derrotando o então mandatário Biné Figueiredo. A disputa foi extremamente acirrada e se repetiu em 2012 em ritmo semelhante. Zito venceu as duas, mas sucumbiu diante de sua aparente irresponsabilidade administrativa.

 

A ponte desabou em Codó faz cerca de dois meses. Próximo a ela outras quatro se encontram em situação semelhante, de acordo com o Portal G1. O problema, aparentemente, não é novo. Em 2007, por exemplo, o jornal O Estado do Maranhão, em notícia postada no portal Imirante, falava sobre um caminhão de doces encalhado em ponte de madeira na cidade. A reportagem alertava que tais ligações eram necessárias porque vários riachos e igarapés cruzam a cidade, nos ofertando uma ideia da geografia local. Mas o problema não é apenas esse. A despeito da dependência dessas ligações, cabe a prefeitura, para além de reparar e manter em bom estado as vias públicas, zelar pela sinalização do que não está em bom estado, ou do que ameaça a vida dos cidadãos. Foi essa a principal razão que levou ao acidente do prefeito. Eram quatro horas da madrugada, a estrada de chão levantou poeira com a passagem de outros carros, o mandatário municipal mor não seguiu o desvio e a caminhonete, daquele tipo Hylux, voou. Ele não viu a sinalização de ponte quebrada? Não é bem isso: testemunhas afirmam que não existe nada mostrando o problema. Ele só não enxergou a nova, e imagino quase intuitiva, rota. Após o acidente, levado para uma UPA e sofrendo com as dores no peito por conta do impacto de seu corpo contra o volante, Zito prometeu que vai promover o reparo da passagem. Isso é óbvio: remediar é quase uma tônica em nossa cultura política avessa à prevenção. Aqui deixamos apenas a dica: que não se esqueça das demais pontes, e que esse aviso não lhe sirva somente como motorista, mas principalmente como prefeito.