O melhor dos mundos

Camila Tuchlinski

18 de julho de 2014 | 08h00

Se tudo o que o prefeito de São Paulo diz a respeito do novo Plano Diretor sair do papel, aqui será o melhor dos mundos para se viver. Um trânsito mais democrático, em que todos os modais tenham espaços semelhantes e de maneira justa.

Eu mesma vou me esbaldar nas ciclovias (promessa da Prefeitura de concluir 400km de ciclovias até o fim do ano que vem) e irei trabalhar todos os dias com a minha bike! Em 2011, cheguei a colocar esse plano em prática, mas as sucessivas mortes de ciclistas e a agressividade dos motoristas de ônibus, caminhões, carros e até motociclistas me fizeram desistir dois dias depois.

Voltei a enfrentar a ‘sardinha em lata’ chamada metrô, com seus usuários que fazem de tudo para passar a frente na escada rolante ou para sentar em um lugar no vagão. Tentei trocar pelo ônibus logo após a implantação das faixas exclusivas. A experiência não foi tão ruim. Consegui ler dois livros em um mês no trajeto de casa para o trabalho. Pelo menos nos horários em que preciso, os ônibus não estão lotados, mas a frequência ainda é baixa.

Atualmente alterno meu transporte diário entre ônibus e carro. Mas não estou feliz com isso. Principalmente quando há greve no transporte público ou manifestações aleatórias nas ruas, prejudicando os motoristas. Então, me lembro do plano que deixei para trás há três anos: usar a bicicleta como meio de transporte o máximo possível, ganhando mais qualidade de vida, passando menos estresse no trânsito e contribuindo, ainda que minimamente, com o meio ambiente. Nas duas situações, conseguiria driblar protestos e não seria refém de nenhuma greve (só do condicionamento físico, mas isso é um detalhe, né?).

Nesta semana, o prefeito Fernando Haddad escreveu publicamente sobre o novo Plano Diretor: ‘O solo de São Paulo é privado. As ruas  pertencem aos carros. Tudo muda com o PDE. O solo é tornado público. As ruas dão lugar ao transporte público e às bicicletas por meio de faixas exclusivas e ciclovias’.

Se a gente parar para pensar, a capital paulista está atrasadíssima no quesito transportes alternativos, realmente. Em Copenhague, na Dinamarca, a cultura da bicicleta surgiu em 1880 e foi extremamente desenvolvida. Hoje, quem vive lá pedala até durante nevasca para trabalhar. Bom, não precisamos ir tão longe. Santos, no litoral paulista, tem mais de 30 mil metros de ciclovias, que interligam a orla ao centro da cidade e a divisa com São Vicente à área do porto.

Como uma cidade como São Paulo, responsável por 11,5% do PIB do País, só tem 70 km de ciclovias? Bogotá, na Colômbia, tem 359km. Nova York, nos EUA, 675km. O Plano Diretor Estratégico é o principal instrumento para o planejamento da cidade. A gente torce, de verdade, para que ultrapasse as barreiras do projeto, passe pelas ‘boas vontades’ políticas e se concretize.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.