O déspota de Redenção do Gurgueia, no Piauí

Camila Tuchlinski

15 de julho de 2016 | 08h01

O município de Redenção do Gurgueia, no Piauí, é considerado “recém-nascido”. Foi criado em 1962 pela Lei Estadual n.º 2.354. A população, segundo o IBGE, é de pouco mais de oito mil habitantes. Nesta quinta-feira, 14, a cidadezinha ganhou as páginas policiais do noticiário brasileiro.

Isso porque o prefeito Delano Parente, do PP, e o pai dele, Audemis de Sousa, que também é secretário de infraestrutura (olha o nepotismo!), foram presos durante uma investigação que desarticulou uma quadrilha suspeita de fraudes em licitações públicas e corrupção. O prefeito, inclusive, foi preso na própria residência dele.

A Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas do Piauí descobriram fortes indícios de superfaturamento e notas frias em licitações na Prefeitura de Redenção do Gurgueia. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Cleandro Moura, Delano Parente é considerado o líder da organização criminosa. No momento da prisão, o prefeito estava com uma arma de fogo, por isso, foi encaminhado à central de flagrantes. A advogada Lina Brandão, que defende o político, declarou que ele não irá se pronunciar sobre as acusações de fraude nas licitações realizadas pela prefeitura do município. Segundo ela, o prefeito pagou a fiança no valor de um salário mínimo.

Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e as polícias civil e militar, além da rodoviária, também cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de empresários, gestores e ex-gestores. As investigações no Ministério Público vinham sendo feitas há um ano, com a participação de 11 promotores e mais de 100 policiais.

Mais detalhes sobre a atuação do prefeito suspeito serão divulgados nas próximas semanas. Mas o nome da operação, ao que tudo indica, é apropriada: “Operação Déspota”.

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