O benefício miou!

Humberto Dantas

20 Janeiro 2014 | 08h00

Não adianta corrigir o texto. É com a letra “S” mesmo que escrevemos o nome do prefeito de Antônio João, no Mato Grosso do Sul. Falamos de Selso Lozano, político do PT que venceu o pleito de 2012 numa coligação que tinha tanto partido de direita que assustaria quem pauta suas análises em vertentes ideológicas nacionais. Lá estavam: o PRB, o PTB, o PR, o DEM, o PSD e mais seis nanicos classificados como direitistas pela Ciência Política no Brasil. Lá estavam também o PPS e o PSDB, que não são de direita, mas completam bem o grupo. Pronto! Deu para entender porque a aliança se chamava “Agora é a vez do povo”. Certamente porque cabia de tudo. De tudo mesmo, pensam alguns. Assim, como tivemos um ministro de Collor que dizia que cachorro também é gente, na lista de candidatos a vereador tivemos o Jacaré da Farmácia e o Elio Macaco. Mas não para por aí.

 

A relação de postulantes às cadeiras da Câmara Municipal tinha ainda Tico e Mãozinha. Tico era um gato, que não parava de miar, ele miava na cama e miava no sofá, cantava Sandro Becker na década de 80 em mais um hit explosivo de seu forró malícia. Mas o que um gato tem a ver com a cidade de Antônio João? Um gato foi acusado recentemente de meter a mãozinha no que é público. Como é? É isso mesmo! Os candidatos a vereador aqui citados, aparentemente, nada têm a ver com a história. Eles apenas ajudam a ilustrar a crônica. Mas Billy tem tudo a ver. E quem é Billy? É o gato de Eurico Siqueira da Rosa. Até a descoberta da fraude bizarra ele era o coordenador do Bolsa Família no município. Eurico inscreveu seu bichano no programa e, somado a dois filhos, recebia o benefício. O gato, sozinho, abocanhava R$ 20,00 por mês. E foi assim por oito longos meses. Billy da Silva Rosa era beneficiário do maior programa de distribuição de renda do país. Culpa do governo? Claro que sim, do governo local, que é o responsável pelo cadastro. Eurico foi demitido, responderá processo e terá que devolver a grana. E assim, a luta contra a corrupção continua. Algo tão difícil quanto o desafio do tenente de cavalaria Antônio João Ribeiro, ou Antônio João, que empresta seu nome ao município. Em dezembro de 1864 ele tombou defendendo o Brasil na guerra contra o Paraguai. Em menor número diante do adversário mandou avisar: “Sei que morro, mas meu sangue (…) servirá de protesto solene contra a invasão (…) de minha Pátria”. Que seja assim, que morramos lutando contra a corrupção, que morra essa sina de tomar o público em benefício do privado. Só quem não precisa morrer é o gato, a despeito de seu benefício ter, literalmente, miado.