Novinho, mas experiente

Camila Tuchlinski

06 de fevereiro de 2015 | 08h05

Com pouco mais de 25 anos de existência, o município de Água Doce do Norte, no interior do Espírito Santo, já teve seu primeiro prefeito cassado. Adilson da Cunha, mais conhecido como Adilson da Saúde, do PMDB, e a vice Betânia Oliveira, do PR, foram condenados por compra de votos. Eles foram eleitos em 2012. Dois anos depois, o TRE marcou novas eleições para o dia 07 de dezembro de 2014.

Água Doce do Norte é um município novinho, mas experiente. Tem pouco mais de 12 mil habitantes. Com 484 km², a cidade era propriedade de um fazendeiro nos anos 50, Domingos Marcolino, que doou a terra. Até então era chamada de ‘povoado de Água Doce do Norte’ por causa do café consumido pelos habitantes que mais parecia uma ‘água doce’, de tão fraquinho que era.

O município chegou a ter três prefeitos em menos de um mês no ano passado. Entre a cassação de Adilson da Saúde e a eleição fora de época no fim do ano passado, a cidade foi comandada pelo vice-presidente da Câmara Municipal, Jailton Ribeiro. Acontece que o peemedebista está inelegível por ter sido condenado em um processo na Justiça Federal. O ficha suja ficou por 28 dias no comando do município, mas ‘pediu para sair’ alegando que a prefeitura ‘não tinha verbas suficientes’. Depois, o novo presidente da Câmara de Vereadores assumiu o cargo e ficou até a nomeação do novo prefeito.

A disputa eleitoral fora de época foi entre Marcus Mendes, do PRP, Paulo Márcio, do DEM, Marcelo Moura, do PTB, e Sebastião Herculino, do PT. De acordo com o TRE, a cidade registrou 3.101 abstenções, 197 votos em branco e 449 votos nulos. O escolhido pela população foi Paulo Marcio, que obteve quase quatro mil votos – aproximadamente o número total daqueles que não deram a mínima para a escolha do prefeito.

O novo prefeito prometeu criar uma comissão para analisar os contratos e outros documentos da prefeitura em busca de irregularidades. A prefeitura de Água Doce do Norte acumula uma dívida de mais de R$ 1 milhão com o INSS. Paulo Marcio também pretende pedir ajuda ao Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo para abrir auditorias na administração municipal. Estamos de olho!

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