No Piauí, quase 500 ações questionam resultado de eleições municipais

Camila Tuchlinski

06 de outubro de 2017 | 08h29

Estamos a quase um ano da eleição presidencial no Brasil e distantes quase um ano das municipais de 2016. Os motivos para contestação são os mais diversos: de investigação judicial eleitoral até recursos contra expedição de diploma.

Se há alguma suspeita de qualquer tipo de fraude em eleições, é preciso investigação e punição. Por outro, se for apenas a famosa ‘intriga da oposição’, fico pensando o quanto é ruim para a população em geral e para a administração dessas cidades ter uma instabilidade política. Pense bem, com eleições a cada dois anos no Brasil (regionais e nacionais) só restam outros dois anos para que os eleitos consigam pensar em governar sem as pressões de campanha. E arrisco a dizer, pela experiência que tenho em cobertura política, que nem nesse hiato há uma trégua na busca por poder.

Depois desse momento de desabafo, vamos voltar aos questionamentos dos resultados nas eleições municipais de algumas cidades do Piauí. Em agosto deste ano, houve eleição suplementar na cidade de Miguel Leão. O vencedor foi Roberto César de Area Leão Nascimento, do PR. A eleição suplementar aconteceu depois que o prefeito, o vice e o presidente da Câmara foram cassados. É o quarto gestor à frente da prefeitura da cidade de Miguel Leão no período de um ano!

Atualmente, 487 ações judiciais questionam os resultados em 79 comarcas eleitorais do Estado. O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí promete julgar os processos até o final de 2018. Caso algum prefeito tenha de sair do cargo, o próximo terá menos de dois anos para administrar. Onde está o problema? Na qualidade dos políticos brasileiros? Na Justiça Eleitoral, que poderia fazer uma triagem melhor entre os candidatos? Ou o problema é do indivíduo, o ser humano mesmo, que é capaz de tudo para chegar ao poder? Acho que cabe uma reflexão.

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