Mitologia Eleitoral

Eder Brito

16 de abril de 2014 | 11h01

Por Eder Brito

A Grécia Antiga foi berço de muitos conceitos inspiradores que ressoam ainda nos dias de hoje. Arte, cultura, educação, religião e, principalmente, sociedade e política ainda sentem influência do pensamento grego. Isto rende inspiração e citações no mundo político até hoje, inclusive no brasileiro, com figuras que carregam não apenas as raízes da democracia Brasil afora, mas alguns outros que também homenageiam símbolos como a Mitologia grega da maneira mais literal possível: com o próprio nome.

Isto não significa, é claro, que existem apenas bons representantes dos nomes gregos. Ex-prefeito de Vacaria, no Rio Grande do Sul, Aquiles Susin, por exemplo, não fez juz ao nome do herói, participante e grande símbolo da famosa Guerra de Troia. Perdeu a batalha contra a justiça e seus direitos políticos por dez anos. Aquiles foi acusado de atos de improbidade administrativa em virtude de uma dispensa de licitação. Segundo a Promotoria de Vacaria, o Prefeito contratou duas empresas para prestar serviços médicos, de forma direta, desrespeitando o artigo 89 da Lei de Licitações. Não pôde concorrer em 2012.

No Maranhão, o município de Lima Campos viu seu ex-prefeito, Aristóteles Mota Curvina, sucumbir também por conta de um ato de improbidade administrativa. O Ministério Público Federal no Maranhão acusou Aristóteles de não prestar contas de recursos repassados ao município pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Aristóteles foi condenado a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

No município de Montanha, no Espírito Santo, a figura “grego-brasileira” atende pelo nome de Hércules Favarato. Prefeito por dois mandatos, Hércules tentava a reeleição em 2012, quando foi surpreendido pela Lei da Ficha Limpa. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, o político capixaba utilizou indevidamente veículos públicos para transporte de material de construção de casas particulares e ainda usou servidores públicos para a mão-de-obra das novas residências.

Com uma coisa a Justiça Eleitoral e a Lei Ficha Limpa não contavam, no entanto. Os Favarato’s estavam à disposição para assumir o compromisso político do chefe da família. Ricardo Favarato, o filho candidatou-se e foi escolhido como novo Prefeito pelos eleitores de Montanha. Não satisfeito, o rapaz ainda deu uma nova chance para o pai, nomeando-o como Secretário Municipal de Obras. E teve mais: a mãe de Ricardo, Maria das Graças de Azevedo Favarato assumiu o posto de Secretária Municipal de Planejamento. Para finalizar, a esposa de Ricardo, Etienne Venturote Favarato tornou-se, além de primeira-dama, a Secretária Municipal de Comunicação.

É quase como se o mandato em Montanha pertencesse à família Favarato. Se tivesse sido eleito, Hércules completaria ao final de 2016, 12 anos à frente do executivo municipal. Não estará na cadeira de Prefeito, mas o filho, a esposa e a nora ajudarão a completar os “doze trabalhos” de Hércules.