Joana D’arc e o prefeito deficiente

Eder Brito

09 de abril de 2014 | 08h30

Por Eder Brito

O Governo Federal tem uma Secretaria Nacional só para pensar políticas e ações específicas da área. Várias Prefeituras estão criando secretarias, diretorias e departamentos voltados apenas ao assunto, com orçamentos próprios, só para atender a estas demandas. E mesmo assim ainda tem político que não consegue lidar com um assunto que já se tornou simples de assimilar: a convivência e o atendimento às necessidades de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Talvez o Prefeito Luiz Juvêncio (PMDB-GO) seja um grande símbolo do gestor público brasileiro que ainda está atrasado neste sentido. Logo no começo de seu mandato no município de Guapó, no ano passado, o Prefeito teve um embate com uma servidora pública que possui deficiência de locomoção. Cadeirante, Joana D’arc de Jesus, servidora há mais de 20 anos em escolas da rede municipal, foi transferida para uma unidade onde não existia banheiro para pessoas com deficiência. Joana viu-se obrigada a urinar e defecar no meio do expediente, sem um espaço íntimo e reservado para tal. Humilhante, no mínimo.

Aos prantos, em entrevista a uma emissora de rádio de Guapó, Joana explicou a tentativa de falar com o Prefeito e com os gestores da área em busca da construção de um banheiro acessível. Recebeu a resposta direta do chefe do Executivo. Luiz Juvêncio confirmou que não construiria o banheiro para a servidora e ainda reclamou do fato da servidora “fazer as necessidades no meio dos alunos”. Recomendou a aposentadoria da funcionária e aproveitou a oportunidade para acusá-la de outras coisas. “Esta senhora recebe sem trabalhar há muitos anos e é favorecida porque é irmã de um vereador”, explicou, em entrevista à 730AM, mesma rádio de Guapó que entrevistou Joana D’arc.

Talvez a falta de sensibilidade e a incompreensível postura de Juvêncio tenham outras explicações, com raízes na gestão orçamentária do município. O negócio anda tão complicado em Guapó que em janeiro de 2014, até a luz da Prefeitura foi cortada. Será que é mais fácil dizer não para a construção de um novo banheiro acessível quando não sobram verbas nem para manutenção básica do patrimônio público? Ou é falta de talento e sensibilidade humana e política para lidar com os dois assuntos?

Por uma diferença de apenas 558 eleitores, Juvêncio teria perdido a eleição em 2012. Seu oponente teve 4200 votos, perante os 4758 que escolheram o candidato do PMDB como Prefeito. O não-eleito, filiado ao PP, chama-se Divino Eterno. Teria conseguido lidar com tudo isso de uma maneira melhor? Porque em alguns municípios brasileiros… só Deus mesmo.