Histórico corrupto na terra do proclamador da República!

Camila Tuchlinski

18 de novembro de 2016 | 08h09

O feriado de 15 de novembro existe para celebrarmos a história do primeiro presidente do Brasil. Contudo, Marechal Deodoro não tem muito a comemorar. E quando eu menciono Marechal Deodoro não é o proclamador da República, mas o município alagoano, que vive histórico de corrupção e arbitrariedades nos últimos anos.

Para você ter uma ideia, o atual prefeito foi afastado. Cristiano Matheus, do PMDB, apadrinhado político de Renan Calheiros, é alvo de quatro ações do Ministério Público Federal e uma pelo MPE. Promotores e procuradores o acusam de desvio de verbas essencialmente de merenda e transporte escolar. O site da prefeitura ainda mantém a foto e o histórico de vida de Cristiano: http://www.marechaldeodoro.al.gov.br/contato/fale-com-o-prefeito/. Mas a situação vai além.

De acordo com denúncia dos investigadores, um juiz local é suspeito de receber dinheiro para ‘blindar’ decisões contra o prefeito. Ambos negam as acusações. Segundo as investigações, os desvios somam R$ 6 milhões. O esquema era grandioso e envolvia 38 pessoas e 15 empresas. Em 22 de setembro deste ano, Cristiano Matheus acabou afastado do cargo pela juíza Isabele Carvalho de Oliveira, da 2ª Vara Federal em Alagoas.

A cidade do nosso proclamador da República agoniza há anos por causa da corrupção intrínseca entre seus políticos! Antes de Cristiano, em 2007, o então prefeito Danilo Dâmaso também foi afastado do cargo. Dois anos antes, ele havia sido preso pela Polícia Federal também por desvio de recursos da merenda em cidades alagoanas. Mesmo com esse currículo, Dâmaso foi prefeito da cidade de 2001 a 2008.

O município de Marechal Deodoro historicamente é governado pelo PMDB. Em 2016, a população decidiu dar uma chance a outro partido e elegeu Cacau, do PSD, que venceu o peemedebista Júnior Dâmaso por quatro votos!   

Uma curiosidade: antes mesmo do nascimento de Marechal Deodoro da Fonseca em território alagoano, a cidade já era saqueada. Logo após o descobrimento do Brasil pelos portugueses, os franceses passaram a contrabandear o pau-brasil, madeira valiosíssima, com a ajuda dos índios Caetés.

Desde 1817, a situação econômica da recém criada capitania era destaque. Por isso, a região sempre tão disputada por quem fosse obstinado por riqueza e poder. Em pleno século XXI, Marechal Deodoro ainda é disputada, principalmente eleitoralmente falando. A cidade tem o maior Produto Interno Bruto per capita do Estado: R$ 27.504,68, de acordo com informações do IBGE (2013). 

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