Fazer ‘o bem’ sem olhar a quem

Camila Tuchlinski

21 de novembro de 2014 | 10h08

Na cidade de Brodowski, a 338 km da capital paulista, um homem decidiu fazer uma boa ação: levar eleitores do município até Batatais para transferência de títulos, revisão, alistamento e outros procedimentos para a regularização eleitoral. Além disso, decidiu bancar as multas e pendências de todos eles!

O Banco do Brasil em Brodowski confirma os dados da pessoa que efetuou os pagamentos: José dos Santos Maciel, candidato a vereador pelo PPS nas eleições de 2008. A instituição financeira também tem informações pessoais registradas dos beneficiados como nome e CPFs.

Maciel foi condenado a um ano de reclusão, pena substituída por restrição de direitos, por ajudar cidadãos a regularizar a situação eleitoral em troca de votos. Nesta semana, o Tribunal Regional Eleitoral negou recurso do político, que chegou a se candidatar novamente em 2012, mas perdeu nas urnas.

O procurador regional eleitoral de São Paulo André de Carvalho Ramos sustenta que os fatos foram devidamente comprovados por meio de documentos e testemunhas. O artigo 299 do Código Eleitoral prevê pena de até quatro anos de reclusão para quem oferece qualquer vantagem com a intenção de obter ou dar voto, ainda que a oferta não seja aceita (vejam!). Segundo o procurador, “o artigo não exige um pedido expresso de votos e pode ser demonstrado pelas circunstâncias que envolvem a conduta do agente”.

Esse é o velho ‘fazer o bem sem olhar a quem’ usado por muuuuitos candidatos por esse Brasil afora, principalmente nos municípios menores. É uma carona para o hospital aqui, é um pagamento de conta de luz ali…tudo para tentar convencer (ou comprar na cara dura) o cidadão a votar no indivíduo.

Na época, em 2008, embora tenha sido candidato ao cargo de vereador, José dos Santos Maciel foi eleito suplente com 455 votos. E o slogan da Câmara Municipal de Brodowski é ‘Resgatando a imagem do Poder Legislativo’.

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