“Exemplo de honestidade” disputa prefeitura de Montes Claros

Camila Tuchlinski

26 Agosto 2016 | 08h12

Nesta semana foi dada a largada para as disputas municipais em todo o País. Em Montes Claros, Ruy Muniz vai tentar a prefeitura pelo Partido Socialista Brasileiro. Para quem não se lembra, ele foi exaltado pela esposa, a deputada federal Raquel Muniz, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara: “Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-­251. É para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”. Segundo ela, Ruy é “exemplo de honestidade”.

Acontece que, em questão de dias, o prefeito foi preso preventivamente pela Polícia Federal por suspeita de prejudicar o funcionamento de hospitais públicos da cidade para favorecer um hospital privado, gerido pela família dele! A operação foi batizada de “Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde”.

O Ministério Público vai além e alega que o prefeito, desde quando assumiu em 2012, usa o cargo para benefício próprio: “Consoante fartas evidências constantes dos autos, desde que assumiu o cargo de prefeito de Montes Claros, em 1.º de janeiro de 2013, o acusado Ruy Muniz vem desenvolvendo e executando um amplo projeto criminoso consistente em, direta e indiretamente, mediante todos os meios espúrios e fraudulentos”. Para os procuradores, Ruy inviabilizou a existência e o funcionamento de hospitais públicos e filantrópicos da cidade, que atendem pelo SUS. Estima-se que o esquema tenha prejudicado mais de um milhão de pessoas em 86 municípios que ficam no norte de Minas Gerais.

Uma das ironias da candidatura de Ruy em 2016 é a escolha do vice. Em uma coligação com 10 partidos políticos, foi escolhido o nome do médico Danilo Narciso, do PMDB. Ruy Muniz também é médico. Bem, já dá para questionar se a profissão do indivíduo pode fazer com que ele dê mais atenção à área, né…ou a atenção adequada que seja.

O prefeito de Montes Claros foi empossado pela primeira vez em janeiro de 2013. Foi vereador da cidade e deputado estadual nos anos de 2007 a 2011. Será que a Lei da Ficha Limpa não poderia impedí-lo de disputar a eleição esse ano? Não necessariamente. Isso porque a lei torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for condenado por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos. Apesar de todas as denúncias contra e o fato de já ter sido preso, Ruy ainda não foi condenado.