Enquanto isso…

Eder Brito

19 de março de 2014 | 08h16

Por Eder Brito

Carlos Alexandre Martins foi eleito vereador de Camboriú com 685 votos em 2012. Até então filiado ao PSDB, Xande (como é popularmente conhecido) começou criando polêmica já durante a campanha. Desrespeitou uma regra que havia sido “combinada” entre todas as coligações do município. Segundo o acordo seria proibido fazer carreatas naquele ano. Xande não deu trela, foi lá, subiu no caminhão e saiu pelas ruas de Camboriú (não confundir com Balneário Camboriú, a outra bela cidade catarinense).

Xande chegou a receber uma multa do Tribunal Superior Eleitoral. Os 4 mil reais nunca foram pagos. Isto porque o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina afastou as multas. O problema é que, apesar do combinado com os “colegas de eleição”, ficou valendo a lei. E a de número 9504/95 é bem clara quando diz que as carreatas são permitidas até as 22 horas do dia anterior à eleição. Xande desrespeitou os colegas, mas não desrespeitou a lei.

O episódio não o abalou. Assumiu a Câmara como líder do Governo, auxiliando a Prefeita Luzia Coppi Mathias, também do PSDB, também eleita em 2012. Mas o negócio todo durou pouco tempo. Magoado, Xande deixou o PSDB em 2013, logo que foi confirmada a fundação do Solidariedade no Estado de Santa Catarina.

Em 2014, a polêmica voltou a incomodar o mandato de Xande. Em entrevista à imprensa local, ele alegou que os vereadores de Camboriú praticamente “pagam para ser vereadores”, que o salário do legislativo municipal é “uma vergonha” e que o vereador que não tiver outras atividades profissionais vai passar fome. Questionado posteriormente, disse que o problema é que precisa fazer muitas doações e caridade e que as pessoas não entendem a verdadeira função de um vereador. O salário do parlamentar em Camboriú é de cerca de cinco mil reais mensais (descontadas quaisquer verbas de gabinete e outros tipos de recursos oferecidos aos mandatos).

A polêmica do salário surgiu quando ele defendia uma mudança básica no regime jurídico e de contratação de servidores no poder legislativo municipal. Atualmente, só é possível contratar assessores com ensino médio completo. Ele defende que há lideranças comunitárias que não possuem educação formal, mas que podem auxiliar efetivamente um mandato de vereador, principalmente pela experiência que têm junto a algumas comunidades. Xande também tem apenas o ensino fundamental completo.

Xande se esforçou para conseguir 685 votos e ser eleito, passando por cima até de uma “lei local”. Xande já enfrentou uma mudança de legenda, por mágoas com o andamento das coisas no governo municipal. Xande já entrou em polêmicas recentes, reclamando do baixo salário dos vereadores de Camboriú e tentando mudar uma lei que garante escolaridade mínima para o trabalho de assessor parlamentar. Neste meio tempo também teve tempo de criar a lei que exige o funcionamento de farmácias 24 horas em Camboriú.

Tudo isso em menos de 15 meses de mandato. E Xande é apenas um dos milhares de vereadores brasileiros.

E o “seu” vereador?

É isto que acontece enquanto você não está olhando. Tudo bem?