Engordando o campo político

Humberto Dantas

23 Novembro 2015 | 07h01

Em 2013 as notícias mostravam que a cidade de Campo Magro, no Paraná, teve suas contas de 2008 consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado – autor da notícia. O então prefeito Rilton Boza e o ex-presidente da Câmara Municipal, Arlei Bueno de Lara, foram penalizados. No início de 2014, o prefeito eleito em 2004 estava diante do desafio de responder a oito ações civis públicas por improbidade. Dentre as irregularidades apontadas: deixou de pagar servidores, promoveu nepotismo e isentou de IPTU um imóvel da família de sua esposa. Em 2008 e 2012 o cidadão tentou voltar à prefeitura, mas foi derrotado em ambos os pleitos. Bozinha, como é conhecido, teria sido punido pelo povo? Ao que tudo indica sim. Já Arlei de Lara foi reeleito vereador, a despeito de seu nome não estar envolvido nas melhores práticas.

 

No caso do parlamento, as contas de 2008 sofreram dos seguintes males: falta de retenção da contribuição previdenciária dos agentes políticos e, o responsável pelo Controle Interno do parlamento era contratado sob o regime de cargo em comissão. “Detalhes” que não podem passar desapercebidos pelos gestores. Mas passam. E se o controle interno parece que falhou, Campo Magro, com seus pouco menos de 25 mil habitantes e apenas 20 anos de vida, estava preocupada em olhar de perto o que seus vereadores vinham praticando. Inspirada por duas obras que ajudei a escrever faz poucos anos atrás, a AMAPA do Passaúna, ou melhor dizendo, a Associação dos Moradores e Amigos da APA Estadual do Passaúna resolveu agir. Assim, se serviu gloriosamente do livro “

Documento

, publicado na revista da escola do parlamento da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que avalia os Legislativos. E os resultados?

 

Os vereadores foram avaliados, e surpreende a grande semelhança com trabalhos de outras cidades no que diz respeito às notas deprimentes conquistadas com base em critérios debatidos nos métodos escolhidos. A melhor avaliação foi de Adeílson Gordo (de Campo Magro), com 3,73 num total de 10 pontos. O melhor! Já Arlei de Lara, nosso ex-presidente, por sua vez, foi o décimo primeiro entre os arrolados, e nesse caso: o último! Sua nota é indecorosa: 1,54. Já imaginou um boletim com essas notas? Os próximos desafios estão associados à capacidade de a organização continuar firme no trabalho, bem como compreender se os cidadãos serão capazes de notar que em 2016 teremos eleições, e com notas desse tipo o ideal será a cidade engordar profundamente o debate político e, obviamente, o que espera de seu parlamento e, sobretudo, de seus vereadores. Ao compararmos os sobrenomes dos principais políticos com a história recente da cidade um primeiro desafio talvez seja repensar as velhas oligarquias e o desafio de encontrarmos novas lideranças. Urgentemente!