E vai rolar a festa!

Humberto Dantas

27 Janeiro 2014 | 08h00

Quando o jornal o Estado de S. Paulo mostrou que o governador Cid Gomes empenhou R$ 410 mil do orçamento de 2012 para a contratação de empresa especializada em pirotecnia para suas inaugurações e festejos logo pensei nos absurdos gastos em homenagens nesse país. O que muitos servidores, sobretudo os aduladores de plantão, chamam de procedimentos de praxe, nós deveríamos questionar e condenar. O recurso público é sagrado, mas ainda vemos casos como aquele da contratação de Ivete Sangalo por R$ 650 mil para a inauguração de um hospital pelo mesmo governador. O valor equivale ao que se gasta na construção de uma Unidade Básica de Saúde, mas o que é uma UBS para quem “deu um hospital”? E é assim que pensam os políticos: acham que estão fazendo favores, e se “dão”, é festa.

 

Nesse quesito, aliás, o governo federal deve ser líder absoluto. De acordo com dados da ONG Contas Abertas, enquanto Fernando Henrique Cardoso, em seu segundo mandato, e Luiz Inácio Lula da Silva, em seu primeiro governo, não foram além de dezenas de milhões de reais com “homenagens e festejos”, a segunda rodada do petista ultrapassou 150 milhões em eventos dessa natureza. Nossa! É muito dinheiro! Mas e Dilma? A técnica de perfil gerencial, por vezes mal humorada e chamada de “gerentona”, sustenta fama que não condiz com seus dispêndios. Nunca antes na história recente dessa nação se consumiu tanto na rubrica. Nos seus dois primeiros anos lá se foram mais de R$ 130 milhões. Algo tão exagerado quanto os sete pronunciamentos em rede nacional de rádio e TV de 2013. Um absurdo!

 

E como se costuma dizer que sete é conta de mentiroso, que não percamos a dimensão da verdade. Seguindo a lógica das outras esferas de poder o deputado federal Otoniel Lima (PRB) – cuja base é em Limeira – resolveu extrapolar o sentido do razoável na relação com sua principal base eleitoral, deixando clara a “principal função” de um parlamentar nas cidades brasileiras. Lembrando os episódios mais clássicos de O Bem Amado, estrelado pelo magnifico Paulo Gracindo no papel do prefeito-coronel Odorico Paraguaçú, o parlamentar-comendador liderou a celebração da inauguração de geladeiras. Como é? Calma. Não pense que estamos falando de algum tipo de Bolsa Frigorífico, como se ensaiou no governo Lula. O ex-presidente, calculando o gasto de energia no Brasil, pensou num programa que distribuísse geladeiras novas e mais econômicas capazes de substituírem trambolhos dispendiosos nas casas de famílias de baixa renda. A ideia poderia até fazer algum sentido na ponta do lápis, mas não é disso que estamos falando. O deputado, intermediador da conquista junto ao governo do estado, e outras autoridades locais, inauguraram as oito novas geladeiras do Instituto Médico Legal da cidade, com pompa, circunstância e ampla cobertura da mídia local. Não que Limeira não mereça estruturar de forma adequada seu serviço funerário, mas precisa mesmo inaugurar esse tipo de equipamento? Quem teria dado a ideia de “cortar a fita” das gavetas mortuárias que consumiram quase R$ 160 mil? No ritmo em que a coisa vai, se é assim no IML imagine o dia em que a cidade ganhar um parque ou uma universidade. A agenda de Ivete Sangalo vai ficar pequena, pois certamente “vai rolar a festa, vai rolar”.