Dia Internacional do Equívoco

Eder Brito

12 de março de 2014 | 20h58

Por Eder Brito

O Dia Internacional das Mulheres já passou, mas deixou rastros na administração pública municipal brasileira. A data por si só já é polêmica. Por mais que celebre um importante movimento histórico da luta pela igualdade de gênero, há quem reclame do viés machista e pouco representativo da comemoração.

Independentemente do julgamento, algumas Prefeituras acabaram se complicando com a data nos últimos anos. A Prefeitura de Macaé, no Rio de Janeiro é um exemplo. Na tentativa de homenagear as servidoras públicas municipais e as moradoras da cidade no último 08 de Março, o governo local lançou mão de uma ação que acabou não rendendo os resultados esperados. A imagem escolhida para ilustrar a campanha causou polêmica. O numeral oito ao lado de uma tarja sugeria um formato fálico estranhamente reconhecível, bem parecido com aqueles desenhos infantis que tentam reproduzir um… pênis. Pois é. O episódio rendeu muitas piadas na internet, polêmica no município e, provavelmente, uma revisão na política de comunicação social da Prefeitura. Clique aqui e confira a confusa homenagem.

Em 2013 quem se complicou foi a Prefeitura catarinense do município de Palhoça. A tradicional celebração do Dia Internacional das Mulheres, com festa da Prefeitura oferecida às servidoras anualmente, trouxe uma novidade inusitada na edição do ano passado: um go-go boy teria sido pago com dinheiro público para “animar” a festinha das funcionárias. O Ministério Público de Santa Catarina chegou a abrir inquérito para investigar se o dinheiro utilizado realmente era oriundo dos cofres do poder municipal. O Prefeito de Palhoça negou tudo e disse em entrevista à imprensa local que o profissional apenas desfilou de samba-canção preta e não de “zorba branca” como normalmente ocorre com os go-go boys (!?!?!). Alegou também que o “moço” estava lá para promover uma empresa de bebidas e que não imaginou que ele apareceria só de cuequinha no local. Cancelou os 7.500 reais originalmente destinados para cobrir as despesas da festa e abriu um processo administrativo contra o diretor de eventos da Prefeitura, pobre coitado que teve de arcar com o pagamento das despesas.

Também em 2013, a Prefeitura de Porto Alegre foi vítima de críticas, quando associou sua homenagem virtual a ideias “pouco feministas” como a predileção incontrolável por chocolate, idas à manicure, uso obrigatório de salto alto e a dificuldade de encontrar chaves dentro da própria bolsa. Sofreu pressão e arrancou as peças da web.

A realidade dos outros 364 dias também não é nenhum mar de rosas. As mulheres são maioria nas carreiras de nível médio e fundamental nas Prefeituras, mas ainda minoria na hora de compor quadros de primeiro escalão nos governos municipais (quantas Secretárias municipais tem a Prefeitura de sua cidade?). E nas Câmaras Municipais? Quantas das 5570 câmaras brasileiras têm maioria feminina? E a briga para conseguir atingir os obrigatórios 30% de contingente feminino na hora de apresentar candidaturas em uma eleição? Talvez no dia em que estas outras estatísticas forem superadas, o número de equívocos do dia 08 de março deixe de ser um indicador relevante.

 

 

 

 

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