De mulher pra mulher, com mão de ferro

Eder Brito

06 de novembro de 2013 | 08h00

Por Eder Brito

O voto feminino no Brasil passou a valer apenas em 1932, mas a primeira prefeita eleita na história do país foi Alzira Soriano de Souza, na cidade de Lages, em Santa Catarina, no ano de 1928. Ela nunca assumiu o mandato. A Comissão de Poderes do Senado daquela época impediu que a eleita tomasse posse e anulou os votos de todas as mulheres da cidade. Até hoje, Lages nunca teve uma Prefeita. Desde a fundação, 37 homens já ocuparam o cargo mais importante do Governo Municipal.

Se questionado, o atual prefeito, Elizeu Matos provavelmente vai dizer que está tentando. Isto porque dentre os 15 Secretários Municipais nomeados pelo gestor, duas mulheres ocupam cargos estratégicos. Marimilia Costa Coelho, na Educação e Maria Cristina Subtil na Saúde dão conta dos maiores orçamentos daquela cidade. Mas do ponto de vista eleitoral, Lages ainda não corrigiu o erro de 85 anos atrás. Na Câmara Municipal, também se repete um verdadeiro “Clube do Bolinha”: nenhuma mulher participa das decisões tomadas por 19 homens.

Belo Horizonte é outro caso. Escolheu Júnia Marise como a primeira mulher senadora eleita pelo voto direto, pós-Constituição de 1988. Mas no nível local a coisa nunca funcionou do mesmo jeito. Lá se vão 115 anos e apenas homens tiveram o prazer de governar a capital mineira. E nem adianta achar que a Câmara Municipal é menos desigual. Em uma casa legislativa com 41 lugares, Elaine Matozinhos “reina” como a única mulher vereadora.

Algumas cidades brasileiras, no entanto, tiveram mulheres como candidatas únicas à Prefeitura, garantindo que a presença feminina prevalecesse no Executivo. É o caso de Minador do Negrão, município do agreste alagoano. Maria do Socorro Cardoso Ferro garantiu sua reeleição e o terceiro mandato (ela também governou a cidade na década de 90). Na hora de montar o Secretariado, a Prefeita não conseguiu (Ou não quis? Ou não pôde?) manter a igualdade de gênero. Com 10 Secretarias esperando nomeações, foi apenas na pasta de Educação e Cultura que Socorro indicou uma mulher. Mas ao menos foi alguém de confiança, já que Marília Cardoso Ferro também carrega (além dos dois coincidentes cromossomos X) o DNA da família.

Além de ter construído seu capital político ao lado do marido, o falecido Jacó Cardoso, vereador por quatro mandatos, Socorro vem encontrando uma Câmara Municipal “governista” em Minador. A única mulher vereadora da cidade é Keyla Cristiane Duarte Cardoso Ferro. E se ambas tiverem algum problema poderão recorrer a outros dois vereadores de tendências claramente “não-oposicionistas”. O vice-presidente da Mesa Diretora é Genival Oliveira Ferro e o 1º Secretário é Clévio Cardoso Ferro, o popular “Clevinho”. Todos prontos para defender os interesses femininos minadorenses, com mão de ferro, a ferro e fogo. Ou não?

 

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